As Pancadinhas Nas Costas

Há pessoas que gostam de opinar sobre a comunidade LGBT e fazerem-se conhecedoras e compreensivas sobre as suas reivindicações, os seus direitos. Gostam de dizer que não têm nada contra os gays ou que até conhecem gays e que gostam deles, como se não ter algo contra ou gostar de alguém fosse mérito seu.

É quando escuto estas palavras ou similares que fico expectante porque quase sempre isto não passa de uma preparação para dizerem depois o que realmente queriam dizer, como se este tipo de introdução, falaciosa e infeliz, lhes desse maior relevo em relação ao que vão dizer, porque dizem conhecer, dizem – imagine-se – gostar de gays.

E poucas palavras depois aparece a natureza real da intenção daquelas pessoas; quando dizem que os gays podem fazer o que eles bem entendem desde que não o façam à sua frente ou que os gays podem fazer o que lhes der na real gana mas que o façam entre paredes.

Há muitas expressões que podia enumerar aqui, nem serão difíceis de as encontrar no discurso mais ou menos populista que vamos encontrando nas redes sociais ou, pior, nas conversas de café que nos vamos cruzando, por vezes até de pessoas que nos são próximas. Porque não entendem elas que, ao afirmarem conhecer ou gostar de gays, não se tornam menos preconceituosas que aqueles que o admitem desde logo. São estas pancadinhas nas costas que a comunidade não precisa pois são insultuosas e, no final de tudo, ferem-nos tão ou mais que as facadas. Ao menos essas não fingem ser outra coisa que não facadas.

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