O Beijo Adolescente

A adolescência é a fase que marca a transição entre a infância e a fase adulta. É também a fase em que os primeiros desejos do foro sexual e erótico se tornam mais óbvios. Não é de estranhar, portanto, que a maioria dos jovens tenha dado o primeiro beijo quando ainda adolescente. É essa realidade que a série The Fosters (Família De Acolhimento em Português) tenta recriar quando as personagens Jude e Connor, ambos de 13 anos, partilham um primeiro beijo num episódio transmitido na semana passada. É um momento que acontece depois de um processo natural de aproximação e de amizade que ali os levou, sem vergonhas, sem pressas, sem manipulações. Eis a cena:

Curiosamente, ou não, esta não é a primeira vez que dois jovens do mesmo sexo partilham um beijo na televisão norte-americana. Em 1993, na série Picket Fences, da CBS, duas raparigas de 16 anos beijaram-se, mas os censores do canal não permitiram na altura que o beijo fosse tão explícito como inicialmente filmado, forçando até que a cena fosse novamente filmada e que do beijo entre as duas raparigas, escondidas na escuridão, apenas se ouvisse o seu som.

Foram precisos quase vinte anos para que as mentalidades mudassem o suficiente e os produtores arriscassem espelhar uma realidade inegável dos jovens adolescentes numa série familiar. Afinal de contas é um dos temas mais recorrentes das séries e filmes norte-americanos, a descoberta do amor e da paixão por rapazes e raparigas.

Como tal, por que não representar também um exemplo em que dois desses jovens são dois rapazes ou duas raparigas? Por que não dar visibilidade a essa realidade? Por que não fazê-lo com o respeito e o cuidado que estes assuntos devem ser tratados (e nem sempre o são, mesmo quando a história é entre um rapaz e uma rapariga)? Por que não apostar numa história palpável, em que os jovens se poderão reconhecer ou conhecer uma emoção tão digna como a sua precisamente por ser igual na essência? São questões cujas respostas me parecem óbvias.

A invisibilidade é dos piores venenos que uma pessoa pode sentir, especialmente se passa pela – já de si – confusa adolescência. Porque a sensação de isolamento pode criar-lhe uma falsa imagem de solidão, que está só no mundo. E isso, claro está, não podia estar mais longe da realidade. Por isso, sim, venham os beijos.

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Cena do filme O Meu Primeiro Beijo, de 1991.

PS – Depois de escrever o texto acima, o Nuno chamou-me a atenção para o comentário de um jovem deixado no vídeo acima, não deixa de ser, à sua maneira, a conclusão perfeita:

O meu melhor amigo disse-me que era gay no verão passado, nos conhecemos desde os seis anos de idade. Vemos várias séries juntos, entre elas a The Fosters, durante a semana e quando esta cena do beijo surgiu fiquei tão feliz por ele! Tudo o que ele quer é ser aceite como qualquer um de nós, e uma cena como esta é um passo mais perto do seu desejo. Acredito que o meu amigo foi criado por Deus como uma pessoa gay, assim como eu sei que Deus o criou para ser o melhor amigo mais incrível do mundo.

Fontes: Sentido G e The Advocate.

Nota: Obrigado ao Filipe pela partilha da notícia e ao Nuno pela ajuda 🙂

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