Angela Merkel E A Sua Definição De Casamento

Já não bastava a imagem de desconfiança que boa parte da Europa tem das suas decisões políticas e financeiras, a Chanceler Angela Merkel, a mulher mais poderosa do mundo, deu uma entrevista onde explicita a sua posição quando ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Diz ela:

Eu sou alguém que é muito favorável à eliminação de qualquer discriminação. Já demos importantes passos, lembro-me que há 25 anos muitas pessoas não se atreviam sequer a dizer que elas são gays ou lésbicas. Felizmente superámos isso; qualquer pessoa pode celebrar uma parceria, uma parceria civil. Para mim, pessoalmente, o casamento é entre um homem e uma mulher vivendo juntos. É esse o meu conceito, mas apoio as parcerias civis. Apoio não discriminarmos essas pessoas quando se trata de impostos e remover qualquer outro tipo de discriminação onde quer que nós a encontremos. Não quero discriminação, quero igualdade, mas marco uma diferença.

Mundt, o entrevistador, rapidamente concluiu das afirmações de Merkel: “Então você diz: não à discriminação, mas vamos manter a diferenciação entre os dois.

“Não discriminação”, respondeu Merkel. “[Mas] o casamento como um homem e uma mulher vivendo juntos”.

Um porta-voz da Stonewall, uma instituição de caridade LGBT do Reino Unido, respondeu aos comentários, dizendo: “Pode alguém realmente apoiar ‘eliminar a discriminação de todos’ ao acreditarem que uniões do mesmo sexo não deveriam ser rotuladas como ‘casamentos’?

Não deixa de ser inacreditável como, numa tentativa clara de se colar ao movimento de igualdade no casamento que tem chegado a milhões de pessoas no mundo ocidental, Merkel tenta justificar a sua oposição ao casamento entre pessoas do mesmo sexo com palavras anti-discriminatórias, criando assim uma aberração argumentativa. Merkel, que se diz contra qualquer tipo de discriminação, traça uma linha, separa uns dos outros e, concluímos, cria obstáculos àqueles que apenas desejam ser reconhecidos como o resto da população. Ideias de muros ficam mal a qualquer um mas à Chanceler não podia ser mais reprovável.

Fontes: The Huffington Post e LeFloid.

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