Queer Lisboa 19 + Queer Porto 1: Primeiro Olhar

A organização do Queer Lisboa, que celebra a sua 19ª edição, desvendou em Lisboa um pouco do que será a programação do festival, a decorrer, como de habitual, no Cinema São Jorge de 18 a 26 de Setembro. Apesar dela só vir a ser anunciada na sua totalidade mais tarde, João Ferreira e Nuno Galopim deram algumas pistas, com alguns anúncios e novidades, do que acontecerá no final do Verão.

Um dos anúncios feitos foi o do filme de encerramento, dedicado à vida e relacionamento secretos do famoso cineasta russo Sergei Eisenstein. “Eisenstein in Guanajuato” é assinado pelo célebre realizador inglês Peter Greenaway, reconhecido pela sua audácia e tópicos controversos em filmes como “The Cook, The Thief, His Wife and Her Lover” ou “The Pillow Book”.

“Eisenstein in Guanajuato” de Peter Greenaway

Existiram dois workshops centrais a acompanhar o Queer Lisboa 19. Um deles, “How do I look now?” com Marc Siegel, professor de cinema na Goethe Universitat em Frankfurt, questionará o rumo do cinema queer na sua invariável diversidade. O outro estará a cargo do cineasta brasileiro Gustavo Vinagre e questionará a representação do sexo explícito em cinema com “Ver ou não ver, eis a questão“.

Vinagre apresentará também o seu novo filme, “Nova Dubai”, na secção Queer Art, que este ano trará a novidade de se tornar também ela competitiva, com 8 filmes a lutar pelo prémio patrocinado pela Faculdade Belas Artes da Universidade de Lisboa. Outro titulo notório desta secção e uma das surpresas da secção ACID da edição deste ano do Festival de Cannes, é “Oh La La Pauline!”, de Émilie Brisavoine, um conto de fadas em jeito familiar e urbano. Também estarão em competição “Cancelled Faces” do israelita Lior Shamriz e “All the Ways of God” da catalã Gemma Ferraté.

Ferreira e Galopim estavam, compreensivelmente, entusiasmados com a primeira edição do Queer Porto, que terá lugar no Teatro Rivoli e que já tem garantia de permanência na cidade durante mais dois anos. Mas o Queer Porto passará também por outras salas como a Maus Hábitos, Mala Voadora e Wrong Weather, numa tentativa louvável e entusiasmante de criar diversidade cultural, com instalações, performances e curtas, no âmbito deste novo festival para além da programação de cinema, totalmente exclusiva do Porto.

O Queer Porto 1 abrirá com “Sangue Azul” de Lírio Ferreira, visto já na secção Panorama da Berlinale, que conta a história de um rapaz da ilha paradisíaca de Fernando de Noronha em jeito de realismo mágico, tradição do novo cinema Sul-Americano. Estará em competição juntamente com outros 11 filmes num prémio a ser atribuído pela RTP2 juntamente com a aquisição do filme para ser passado nesse canal. Um deles será o documentário “Regarding Susan Sontag” de Nancy Kates que retratará a vida daquela que é uma das maiores activistas e artistas das últimas décadas do panorama Norte-Americano, tendo sido ela, por exemplo, a autora do conceito “camp“.

“Sangue Azul” de Lírio Ferreira

Com este abrir de apetites fica então o mote dado para o início do que se adivinha ser mais uma grande edição do Queer em Lisboa, o mais antigo festival de cinema da cidade, e a arrojada inauguração do Queer Porto, cuja variedade programática valerá concerteza uma viagem dos não portuenses à Invicta.

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