O Argumento Dos Quatro Pénis E O Perigo De Pedro Arroja

2015-11-13-Pedro-Arroja-3 machismo homofobia lgbt porto canal

Há textos que acertam plenamente naquilo que queremos escrever e este “Pedro Arroja: o Rei dos homofobicus otarius” de Guilherme Duarte é  exemplo genial disso.

Mas comecemos pela fonte, o economicista Pedro Arroja – que tem comentado no Porto Canal e que já na semana passada tinha levantado polémica ao chamar de “esganiçadas” às mulheres de relevo do Bloco de Esquerda – voltou a ser centro de nova polémica ao opinar no mesmo canal sobre a adopção por casais do mesmo sexo e, digamos, o sexo dos anjos. Vejam:

Toda a argumentação de Arroja roça o ridículo e, para além de ter uma visão machista da sociedade («Uma mulher sozinha não sabe para onde é que há-de ir»), possui uma homofobia baseada na ignorância mais ou menos consciente. Notei, tal como Guilherme Duarte, um certo escárnio na discrição da mulher envolto num toque de tentação mal-explicado.

Mas o grande perigo de Pedro Arroja – e de outros como ele – é o tempo de antena que estas pessoas recebem. Os órgãos de comunicação que lhes decidem dar voz acabam por ser cúmplices de toda esta narrativa de ignorância e de ódio que, é certo, lhes traz audiências e ‘cliques’, mas que, mais que isso, servem muitas vezes de validação a ideias que algumas pessoas ainda tem em Portugal. E em vez de se dar espaço à educação, à ciência, à discussão e ao aprofundamento de temas sociais, é-nos dado este lixo. Como prova, basta ver a quantidade de comentários homofóbicos e machistas que facilmente são encontrados nas páginas destes vídeos ou dos jornais de comentários.

É certo que este é um delicioso e tentador lixo – afinal de contas, aqui estamos a falar sobre esta pessoa – mas queremos, mais que tudo, denunciar o perigo que estas vozes têm com o seu alcance e influência. A passividade de alguns jornalistas é igualmente notável. Mesmo num espaço de opinião, o jornalista terá o dever de chamar à atenção qualquer incongruência que o discurso do comentador possua, tal como levantar questões pertinentes quando a mensagem é de claro ódio a um grupo de pessoas. O silêncio não pode servir de desresponsabilização. Valha-nos ao menos um sorriso amarelo.

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Nota: Obrigado à Sandra pela partilha do artigo do Por Falar Noutra Coisa.

Actualização 07/07/2016:

Noticia o Público:

“A Entidade Reguladora para a Comunicação Social considerou que as declarações do comentador Pedro Arroja sobre a adopção de crianças por casais homossexuais devem ser “enquadradas no âmbito da liberdade de expressão e de opinião”, ilibando assim aquele o Porto Canal de qualquer sanção numa deliberação recente sobre o assunto.”

Ep. 260 – ESPECIAL Autodeterminação de género: comunidade, famílias e especialistas no Parlamento – Dar Voz a esQrever: Notícias, Cultura e Opinião LGBT 🎙🏳️‍🌈

Nos dias 22, 25 e 26 de setembro, a Assembleia da República ouviu associações, famílias, pessoas trans e especialistas no âmbito da discussão, na especialidade, de três projetos de lei sobre autodeterminação de género apresentados por Chega, PSD e CDS-PP que pretendem reverter a lei de 2018.Neste episódio especial do Podcast Dar Voz a esQrever, reunimos algumas dessas intervenções.O foco está nas vozes da comunidade, de quem trabalha diariamente no terreno, de mães e pais de jovens trans e de especialistas das áreas da sociologia, psicologia, psiquiatria, pedopsiquiatria e endocrinologia.Optámos por não incluir intervenções que reproduzam discursos LGBTIfóbicos ou coloquem em causa a dignidade e os direitos das pessoas trans. O objetivo deste episódio é dar espaço a quem vive estas realidades, acompanha pessoas e famílias ou trabalha e investiga nestas áreas. As sessões completas estão disponíveis no site do Canal Parlamento.Artigos mencionados no episódio:Lei Histórica de Autodeterminação de Género Aprovada no Parlamento PortuguêsReino Unido: suicídios entre jovens trans aumentaram durante restrições aos cuidados de saúdeRelatório Cass: Entre a evidência científica e a instrumentalização da saúde de jovens TransPSD, Chega e CDS aprovam retrocesso na autodeterminação de género: Lei atual mantém-se por agora, mas futuro é incertoAlterações de nome e género aumentam em Portugal num ano marcado pela ameaça à lei da autodeterminaçãoAté onde nos trouxe o movimento de conquista de direitos para pessoas trans?Ordem dos Médicos critica projetos da direita sobre identidade de género: “não refletem o conhecimento médico atual”ONU pede retirada de projetos do PSD, Chega e CDS que alteram lei da autodeterminação de géneroMais de 60 entidades subscrevem comunicado que denuncia retrocesso nos direitos trans e intersexo: “A nossa autonomia não é debatível”Nenhum direito vive sozinho: porque a luta LGBTQIA+ precisa de ser interseccionalCAPÍTULOSComunidade e associações00:04:18 — Jo Matos, rede ex aequo00:06:29 — Tiago Sampaio, rede ex aequo00:10:29 — António Vale, AMPLOS00:12:55 — Patrícia Almeida, AMPLOS00:17:39 — Rita Paulos, Casa Qui00:22:49 — Beatriz Flores, ILGA Portugal00:26:57 — Daniela Bento, ILGA Portugal00:30:12 — Jo Rodrigues, Anémona00:36:40 — Helder Bértolo, Opus DiversidadesEspecialistas — intervenções iniciais00:43:35 — Sandra Saleiro, socióloga e professora universitária00:52:50 — Carla Moleiro, psicóloga clínica e professora universitária01:00:13 — Zélia Figueiredo, médica psiquiatra01:07:32 — Rui Ferreira Carvalho, médico especialista em pedopsiquiatria01:15:00 — Miguel Saraiva, médico endocrinologistaEspecialistas — respostas às questões colocadas01:22:12 — Sandra Saleiro01:30:03 — Carla Moleiro01:37:38 — Zélia Figueiredo01:43:28 — Rui Ferreira Carvalho01:49:01 — Miguel Saraiva#LGBTQ #DireitosLGBTQ #DireitosTrans #Intersexo #Autodeterminação #Portugal
  1. Ep. 260 – ESPECIAL Autodeterminação de género: comunidade, famílias e especialistas no Parlamento
  2. Ep. 259 – ESPECIAL: A luta pela autodeterminação de género e contra as práticas de conversão em Portugal
  3. Ep. 258 – UE protege mulheres trans, Chicão muda de opinião & Women Talking + Young Hearts

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5 respostas a “O Argumento Dos Quatro Pénis E O Perigo De Pedro Arroja”

  1. Muito bom o post do Guilherme, do qual raramente gosto daquilo que escreve. Não sou muito apreciador de humor negro.
    Relativamente ao prof. dr., simplesmente não o sigo nem vejo. Não dou qualquer tempo de antena. Compreendo a passividade da jornalista. Não estamos perante um grande canal e qualquer reação menos esperada custar-lhe-à, certamente, o lugar de trabalho. Por vezes, ignorar, é o melhor remédio. E é isso o que faz. Ao contrário de outros colegas seus, não deturpou a informação, mentiu, …

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    1. Pois, o problema é que há outros jornalistas que têm a mesma posição e em canais de maior relevo. Preocupante, estas vozes não podem continuar a ter tempo de antena. Um abraço, Paulo ☺

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      1. Em canais de grande destaque a situação já é diferente. Sobretudo quando se trata de jornalistas com renome. Mas por defender os seus ideais, Manuela Moura Guedes foi afastada, embora durante anos não a suportasse. Outros, também sofreram algumas ameaças :/ O conceito de democracia é muito relativo. Pelo menos, no que diz respeito à nossa. Abraço, Pedro 😉

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      2. Não tinha tanta certeza, a opinião do Sousa Tavares sobre a adopção, por exemplo, embora dada noutro estilo, não é diferente da deste senhor. E ele fala semanalmente em horário nobre da SIC.

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  2. […] dizer pobre) em opiniões homofóbicas. Se ainda há umas semanas era Pedro Arroja com o seu “argumento dos quatro pénis“, esta semana é a vez do fadista Nuno da Câmara Pereira ao afirmar que “90% dos […]

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