Homofobia: As Modas De Nuno Da Câmara Pereira

Não sei exactamente o que tem acontecido nas últimas semanas em Portugal, mas parece que o espaço de opinião da nossa televisão tem sido rico (para não dizer pobre) em opiniões homofóbicas. Se ainda há umas semanas era Pedro Arroja com o seu “argumento dos quatro pénis“, esta semana é a vez do fadista Nuno da Câmara Pereira ao afirmar que “90% dos homossexuais só o são por moda” num programa da CMTV conduzido pela Maya.

O fadista começa por dizer que a homossexualidade não é genética porque, atente-se, “os homens têm voz grossa e genes masculinos“(argumento que só é interrompido por outro sujeito que faz piadola a mulheres de voz grossa). Simpáticos eles perante a Maya, mas ela já devia andar a pedi-las quando os convidou.

O fadista, contudo, continua a partilhar a sua sabedoria: “eu acho que 80%, 90% das opções são mesmo opções, é moda, é dificuldade em comunicarmos uns com os outros, é falta de tempo para namorarmos“. Gostava que o Nuno, antes de reclamar esses números, fornecesse as fontes pelas quais se baseou, porque faz-me crer que usa a mesma fonte do arquitecto Saraiva: o gay no elevador!

Hoje em dia, e mais do que nunca, há uma enorme separação entre os sexos na harmonia. E julgo que com a liberdade sexual faz-se muito menos acontecimento sexual do que quando não havia. Há hoje muito menos amor do que há 40 anos.” Aqui acredito que o Nuno se tenha perdido, ao fim de apenas duas frases mal cuspidas, os argumentos não pegaram, como tal o próximo passo é o chavão. Não sei se haverá agora uma enorme separação entre os sexos na harmonia, mas quero acreditar que a sociedade tenda para o fim da separação dos sexos… nos lugares de topo, por exemplo. Não percebo exactamente o que o Nuno quer dizer com “acontecimento sexual”, nem percebo por que estará ele em perigo de extinção, mas se por “acontecimento sexual” quiser dizer casamentos por conveniência ditados por tradição familiar ou religiosa, ou o sexo ser um dever da mulher ao seu marido, ou até – imagine o Nuno – um casamento de fachada, por mim podem riscar qualquer “acontecimento sexual” do mapa. Não sei se hoje haverá menos amor do que há 40 anos, mas parece-me que o Nuno com essas palavras rapidamente se poderá tornar num dos motivos de uma afirmação dessas.

Como tal, aparece este exagero da sociedade na procura do sexo, de tal forma que caminham para o caminho mais fácil, porque a vida é feita de caminhos, então identificamo-nos com aqueles que estão mais próximos de nós e cuja imagem é igual à nossa, no nosso narcisismo e egocentrismo.” É, porque quando antigamente havia maridos que iam às putas estes iam sem exageros. Por isso as suas esposas não tinham outra opção se não perdoá-los, afinal de contas a procura do sexo por eles era claramente contida. Compreendo quando o Nuno fala no “caminho mais fácil“, é de sabedoria popular que ser-se homossexual é o “caminho mais fácil”. Pois lamento informar que não, não é, mas há que ter esperança e fazer por isso. Recomendo, portanto, que o Nuno deixe os preconceitos homofóbico e sexista de lado e deixe de falar, cantar talvez, mas deixar de falar era mesmo o que vinha a calhar!

Fonte: CMTV e tweet da Cátia 🙂

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