Bloco Lança Campanha “Jesus Também Tinha Dois Pais”

No seguimento da votação histórica do passado dia 10 – em que a Assembleia da República reiterou a sua intenção de abranger os casais do mesmo sexo na adopção de crianças e contra o veto do ainda Presidente da República Cavaco Silva – o Bloco de Esquerda irá lançar a partir de Sábado uma campanha a assinalar a discriminação que existia na lei da adopção em Portugal.

O Bloco irá espalhar pelas ruas do país um cartaz com a imagem de Jesus Cristo no qual se lê “Jesus também tinha dois pais” [ver acima]. Para além de outros cartazes [ver mais um exemplo abaixo], está prevista uma sessão pública para discutir o tema. Os bloquistas pretendem convidar pessoas de organizações e de associações que, de alguma forma, estejam ligados à causa.

A ideia do cartaz com a imagem de Jesus Cristo não pretende ofender nem a Igreja nem a religião, garante a deputada do BE Sandra Cunha ao jornal Público. É apenas, diz, uma forma de “mostrar às pessoas” que “sempre existiram famílias diferentes” e que essa não é uma realidade “nova nem recente”. Os dois pais a que se refere o cartaz são, especifica a deputada, “o pai espiritual e o pai terreno” de Jesus Cristo. Sandra Cunha sabe que “provavelmente” o cartaz vai gerar polémica, mas considera-a “bem-vinda”, porque faz com que as pessoas discutam o tema, defende.

A campanha marca esta conquista enorme do fim da discriminação na lei contra famílias e crianças por causa da orientação sexual das pessoas. É uma conquista histórica da sociedade portuguesa. Mas consideramos que, apesar de esta conquista na lei ter sido o culminar de uma série de reivindicações, importa ainda continuar esta batalha na sociedade: mudar mentalidades, destruir preconceitos, chamar a atenção para estas questões – Sandra Cunha.

Para a deputada, é preciso “corresponder o fim da discriminação na lei” às mentalidades e à sociedade e ainda há também “bastante a fazer” a nível legislativo no que respeita à identidade de género. Por isso, nota, o Bloco está a trabalhar em projectos precisamente com o objectivo de “pôr fim à discriminações com base na identidade de género”.

Aguardemos, portanto, a campanha e a discussão que aí vem sobre o tema, com a consciência que hoje no campo da adopção todas as famílias portuguesas são, aos olhos da lei, iguais.

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Fontes: Público e Página no Facebook da Esquerda.net.

Actualização 26/02/2016:

Dada a polémica entretanto gerada, vale a pena ler algumas opiniões, nomeadamente a de Isabel AdvirtaMiguel Vale de Almeida e Daniel Oliveira:

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