“Sense8” (e a sensação de união)

Sense8, o último projecto dos irmãos Andy e Lana Wachowski (os mesmo que nos trouxeram a trilogia Matrix ou V de Vendetta), não é uma série fácil. Os primeiros episódios são confusos, as histórias parecem não fluir e o que une as oito personagens centrais é demasiado forçado. Percebemos o potencial do conceito por detrás da série: oito pessoas – oito ‘sensates’ – de oito pontos do mundo percebem estar interligadas mental e emocionalmente e que têm que escapar, unindo-se, àqueles que as tentam caçar por acreditarem ser um perigo para a ordem mundial. Porém, a partir de certo ponto, a série ganha o ritmo prometido e exigido para ligar todas as personagens e é aí que começa a brilhar.

sense8 cast lgbt televisão

Ambiciosa, Sense8 foi filmada in loco nos diversos pontos geográficos de onde são oriundas as personagens. Um feito hercúleo visto que muitas vezes essas localizações se emiscuem dentro da mesma cena, enquanto os ‘sensates’ aprendem a comunicar entre si e, assim, aprendem também a unir as suas forças individuais e protegerem-se dos perigos eminentes, sejam eles individuais da vivência de cada um deles ou partilhados.

A variedade cultural – passamos pelos Estados Unidos, Reino Unido, Islândia, Alemanha, México, Coreia, Quénia e Índia – e social do elenco é também ela notável, com a presença igualmente partilhada de mulheres e homens, de diversas orientações sexuais e com personagens cis e transgénero.

Jamie Clayton, que desempenha o papel da carismática Nomi, uma mulher transgénero que com a sua namorada quebram todos os estereótipos, conta:

Ao representar uma personagem transgénero numa série que está sob a alçada de Lana Wachowski [também ela trans], eu sabia que iria ser protegida e representada de uma forma nunca antes vista em televisão. Eu amo a Nomi, eu amo a personagem. Ela realmente representa algo que nunca vimos antes. É a empatia: as pessoas reúnem-se para ajudar uns aos outros, não importa a língua, não importa o género ou a sua sexualidade.

Para além dos pensamentos sobre amor, morte e sexualidade, é essa a mensagem da série de televisão: unidos somos, efectivamente, mais fortes. E se não olharmos com desdém a diferença das pessoas que nos querem bem, temos todos a ganhar, porque a fraqueza de uns é a força de outros. E, então, unidos, enquanto comunidade global e sem tabus, conseguiremos superar os obstáculos que nos surjam.

O trailer assim é:

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