Luta Pela Igualdade

Partilhamos hoje um texto do Filipe que, seguindo a discussão em torno do atentado em Orlando, assim escreve sobre a luta pela igualdade:

O atentado em Orlando demonstra como o caminho para uma sociedade mais justa e igual é ainda longo e extremamente complicado, mas que vale muito a pena ser percorrido. Este caminho deve apostar essencialmente em 3 pilares, a mudança de mentalidades; o respeito pelo outro e o fim da discriminação.

A mudança de mentalidades é o pilar que levará mais tempo, mas que a longo prazo mais frutos nos dará na luta pela igualdade. Isto porque infelizmente não chega apenas uma mudança da lei, apesar de a mesma representar um grande passo, dado que transforma o Estado num agente de luta e reconhecimento pela igualdade de todos.

A frase que tanto fomos ouvindo ao longo do tempo “todos iguais, todos diferentes” não é apenas um slogan que fica bem nos cartazes ou na boca das pessoas, ela é na realidade a demonstração de algo que deveria ser simples de perceber. Todos somos iguais, dado que somos todos pessoas, mas cada um é um ser único, dado que são as diferenças existentes entre cada um de nós, que nos faz pessoas únicas que tornam o mundo um lugar extremamente interessante de viver e conhecer. Mas para que isso aconteça é necessário que as pessoas compreendam que é necessário respeitar estas diferenças e não fazer delas algo de negativo ou justificativo para actos hediondos.

A luta pela discriminação não terminou ainda, isto porque muito existe ainda por fazer, sendo que os últimos dias o demonstraram por completo. Quando vemos notícias de sítios onde se rejeitam pessoas só por causa da sua orientação sexual, religião, cor ou etnia percebemos que é ainda necessário a criação de leis que possam punir estes actos de humilhação do ser humano.

O atentado em Orlando trouxe, mais uma vez, a debate um tema que já tem sido alvo de discussão, a discriminação de que os homossexuais são alvo na doação de sangue. Ontem o jornal The Guardian noticiava que homens homossexuais estavam a ser impedidos de dar sangue, isto quando não estivessem há pelo menos um ano sem praticar sexo anal, com ou sem preservativo, mesmo que tivessem numa relação estável há vários anos com a mesma pessoa. Este é um critério que vale apenas para os homens homossexuais ou bissexuais. Esta é uma discriminação que em nada se justifica e para a qual a comunidade cientifica já disse que os fundamentos são errados. Torna-se necessário lutar pelo fim desta discriminação, sendo que o que deve ser avaliado são os comportamentos de risco e não a orientação sexual das pessoas.

Se no último pilar a intervenção do Estado é ainda importante e urgente para colocar fim a estas e muitas outras discriminações, nos dois primeiros a Educação é o melhor caminho que a sociedade pode trilhar na luta pela tão almejada igualdade entre todos.

Filipe.

Nota – Não poderia terminar esta pequena reflexão, sem agradecer ao Pedro os constantes reptos que foi fazendo para participar neste projecto. Aproveito também para fazer um reconhecimento público pelo excelente trabalho que o Pedro e o Nuno levaram a cabo ao longo dos últimos anos e que tem vindo sempre a crescer. Continuem que nós estaremos por aqui para vos apoiar.

Advertisements