Hande Kader, a ativista trans que quiseram calar

Na semana passada em Istambul, Hande Kader foi violada e assassinada. Foi queimada e mutilada. Qual foi o motivo para tal crime de ódio? Transfobia.

Hande era uma activista conhecida na Turquia, tendo participado sempre em manifestações, inclusivamente na Gay Pride de Istambul de 2015 quando enfrentou a polícia. No mesmo ano a polícia turca disparou canhões de água contra os participantes. Isto quando não são usadas balas de borracha e gás  pimenta pelas autoridades contra os activistas LGBT, como aconteceu em junho deste ano.

“A luta para permanecer vivo na Turquia, onde as pessoas trans são empurradas para as periferias da cidade, bem como a luta para provar sua existência ganha sentido na frase que se repete escrita em cada manifestação: “Não seja silencioso, grite, trans existe”, referiu a jornalista Rengin Arslan da BBC Turquia a propósito do assassinato da activista.

Todos os dias acontecem horrores. Crimes de ódio.

Tentam calar as vozes daqueles que se opõem ao preconceito. Mas infelizmente nem todas as manifestações de força demonstradas pelos ativistas são difundidas e portanto os media tendem a contribuir para um sistema de invisibilidade.

Hader criticava isso mesmo no Pride de 2015:

“Vocês tiram fotos, mas não as publicam. Ninguém está a ouvir as nossas vozes”

Até que calaram de vez a sua voz. Queimando-a.

A homossexualidade, por exemplo, não é ilegal na Turquia, mas a realidade mostra o oposto. A discriminação face a pessoas LGBT permanece. Há pouco mais de duas semanas um refugiado sírio gay foi decapitado em Istambul.

A Turquia é um país com um elevado número de assassinatos de pessoas trans.

É tempo de denunciar os crimes de ódio. É tempo de dar visibilidade à dura realidade trans.

 

Fonte: GZone (imagem).

 

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