Espera lá, então eu também tenho de contar aos meus pais que sou heterossexual!?

A sexualidade será sempre a verdadeira incógnita da condição humana! Tão complexa, tão privada, e apenas define uma parte do eu… A importância associada à mesma, a procura pela sua conceptualização, bem como denominação, é ridícula e ainda se torna mais quando se estabelece uma normatividade, um padrão!

O “normal” é então o menino e a menina darem as mãos, filosofias e ideologias implementadas desde tenra idade nos sujeitos… Depois, crescem, dão beijinhos, têm filhos e viveram felizes para sempre! No decorrer desta narração normativa nunca foi necessário anunciar aos demais, bem como definir e conceptualizar, a sexualidade dos sujeitos. Então, e se forem duas meninas a darem as mãos, a darem beijinhos e a terem filhos!? Nesta história já é possível verificar a tal fuga ao padrão social da sexualidade humana, e sim terá de surgir obrigatoriamente a tal “anunciação” de cariz sexual por parte dos intervenientes!

Então porquê esta diferenciação drástica? A sexualidade é pessoal e privada de cada um, é complicado lidar com a mesma no decorrer da nossa existência, desde as oscilações, às alterações (de natureza física, emocional e corporal), e depois toda a conjectura do Self, a construção do mesmo, que surge em paralelo… Tão complexo bolas, por que tenho então de definir-me como sendo Heterossexual, Homossexual, Bissexual, entre outros!? Os próprios conceitos são para mim altamente aberrantes!

De quem gosto? Rapaz ou rapariga? Sinto-me atraída sexualmente por homens ou mulheres? A minha resposta é: Sinto-me altamente, e perigosamente, atraída pelo ser humano no geral! Adoro conhecer o outro, os seus gostos, os seus sonhos, o seu passado, e descobrir os seus defeitos. Criar histórias e piadas, criar algo de tão íntimo e privado com alguém é a verdadeira recompensa de todo este processo, na qual surgem as variantes do Auto e Hetero conhecimento. O grande clímax surge quando o processo de conhecimento se torna íntimo o suficiente para explorar corporalmente o outro, emergindo assim um patamar de cariz físico no qual se alcança a intimidade plena partilhada por dois indivíduos!

Já basta os sujeitos terem de lidar com este processo altamente complexo com alguém, que até então seria um estranho, quanto mais definir ou conceptualizar o que quer que seja! Termino com uma passagem do romance Will Grayson, Will Grayson (2010), de John Green, que resume os dilemas, os problemas e as reflexões introspectivas individuais referente ao amor, e ao relacionamento de natureza íntima partilhado com o outro… E isto é, sim, o mais importante e não definir a sexualidade que apenas torna tudo tão mais complicado para o Humano!

NO. No no no. I don’t want to screw you. I just love you. When did who you want to screw become the whole game? Since when is the person you want to screw the only person you get to love? It’s so stupid, Tiny! I mean, Jesus, who even gives a fuck about sex?! People act like it’s the most important thing humans do, but come on. How can our sentient fucking lives revolve around something slugs can do. I mean, who you want to screw and whether you screw them? Those are important questions, I guess. But they’re not that important. You know what’s important? Who would you die for? Who do you wake up at five forty-five in the morning for even though you don’t even know why he needs you? Whose drunken nose would you pick?! ― John Green, Will Grayson, Will Grayson

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