Música com Q: 30 de Setembro

É Sexta. E lá vou ter despejar – com gosto – mais uma edição da rúbrica cuja ideia foi minha e só minha – a sério, alguém me pare com estas divagações – e agora para manter alguma consistência – que não tenho – lá vou levá-la adiante quando o que me apetece é ir dormir ao lado do cachorro – literalmente. Mas vai ser bom na mesma, prometo.

Até porque depois de algumas semanas de teasing, temos finalmente disponível o álbum de Regina Spektor Remember Us to Life, o sétimo de originais e o primeiro desde 2012, se não contarmos com o (incrível) tema de abertura para a série Orange is the New Black, ‘You’ve Got Time. Um álbum certamente a ouvir com toda a atenção, não fossem os quatro temas previamente avançados para o disco uma consumação do brilhantismo da cantora e compositora que, à semelhança de outras mulheres ao piano como Tori Amos, trilha o seu próprio caminho e legado.

Também já desde 2012 que não tínhamos um conjunto de originais de Solange, nomeadamente desde o magnífico EP ‘True‘ produzido por Dev Hynes – ou Blood Orange – e que incluía o irresistível ‘Losing You’. Este novo álbum afasta-se da pop mais electrónica que marcou o seu percurso interior e trata-se de uma incursão por uma sonoridade mais r&b e soul urbano, lembrando um pouco o que Lauryn Hill concretizou há tantos anos, sem deixar, contudo, os sintetizadores para segundo plano. Parece existir aqui, no entanto, uma maior consciencialização do mundo que a rodeia, sinal de maturação pessoal e artística, e uma politização da sua arte no sentido do crescente movimento Black Lives Matter e actual discussão sobre o racismo nos Estados Unidos, não fosse o próprio título ‘A Seat at the Table’, uma reivindicação óbvia de feminismo e orgulho racial sem grande margem para segundas interpretações.

A Banks de ‘Goddess’ regressa agora também com ‘The Altar’. Uma espécie de FKA Twigs com aspirações mais pop, já tinha impressionado com o primeiro single ‘F*** with Myself’ (em baixo) e comprovado a sua própria identidade. Este disco soturno de confissões noctívagas parece pertencer a alguém que não está disposto a querer corresponder a ideais de género ou quaisquer outras directrizes de normatividade patriarcal. Sim, ela fode com ela própria sem pudor ou culpa associados e não está disposta a comprometer-se para seguir alguém até ao altar. Middle fingers up.

Entretanto Robbie Williams aponta armas a Vladimir Putin com ‘Party Like a Russian’ com o auxílio de um sample do compositor russo Sergei Prokofiev para a segunda amostragem de ‘Heavy Entertainment Show’, que tem colaborações com Stuart Price, Rufus Wainwright e Ed Sheeran, entre outros. É o décimo primeiro disco do ex-Take That – ou apenas a descansar, ainda não percebi – que acumula em 2016 vinte anos de carreira a solo.

Ah e o Niall Horan dos One Direction, o loiro, aquele que toca guitarra e parece a Ellen DeGeneres, lançou um single de estreia tão fraquinho que nem me vou dar ao trabalho de pôr o link. Fica descansado Zayn.

É pá e o resto vejam na Internet. Choices.

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