Histórico: Anderson Cooper Foi Primeiro Jornalista LGBT No Debate Presidencial Norte-Americano

Quem viu na madrugada passada o Debate Presidencial Norte-Americano que uniu, pela segunda vez, a candidata Hillary Clinton e o candidato Donald Trump soube estar a presenciar um momento histórico.

Houve vários momentos que justificam esta qualificação. Desde a diferença abismal de comportamento entre Hillary e Donald, com as sucessivas interrupções do segundo sobre a primeira a repetirem-se neste novo debate; passando também pela ameaça, em plena discussão dos e-mails apagados, de Donald a Hillary quando afirmou que esta estaria presa se ele fosse Presidente. Mas houve um outro factor que tornou o debate histórico: Anderson Cooper  foi a primeira pessoa assumidamente LGBT a moderar um debate presidencial norte-americano.

Cooper, jornalista da CNN, dividiu a moderação do debate com a jornalista da ABC News, Martha Raddatz. Ambos tiveram que conduzir as questões feitas ao candidato presidencial mais homofóbico, misógino e racista que os Estados Unidos conheceram. Não esqueçamos que Donald, para além de todo o sexismo que exprime vezes sem conta ao objectificar e secundar as mulheres; para além das ideias racistas que promove ao defender, por exemplo, a criação de um muro que trave a entrada de mexicanos nos EUA; é o candidato que ameaçou igualmente voltar atrás na questão do casamento igualitário caso seja eleito Presidente.

Pauline Frederick foi a primeira mulher a moderar um debate residencial em 1976. Carole Simpson a primeira negra a fazê-lo em 1992. Curiosamente, foram necessárias depois duas décadas para que uma mulher voltasse ao prestigiante papel de moderadora de um debate deste nível: Candy Crowley em 2012.

Regressando a Cooper, bem sabemos que a sua orientação em nada influencia a sua qualidade jornalística, mas é a sua visibilidade que promove a integração das pessoas LGBT em momentos-chave da história da sociedade e da sua política. E se o sonho actual é que Hillary ganhe – por isto ou por aquilo – quem sabe se um próximo não terá uma pessoa LGBT como Presidente. Porque pessoas LGBT em cargos políticos de topo, na realidade, já não são novidade na Europa.

Fonte: Advocate.

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