Música com Q: Q de Dylan

Hoje é uma Sexta-Feira especial. Não porque existam lançamentos de destaque. Não existem.

Mas ontem foi anunciado o novo laureado do Nobel da Literatura e, como todos já sabem por agora, ele é nada mais nada menos que o inabalável Bob Dylan. A escolha foi uma surpresa para todos, uns celebraram o facto do júri ter expandido as suas escolhas para abranger a poesia trovadoresca de intervenção da canção popular, enquanto outros imediatamente fizeram saber que tal atribuição é um ultraje para o mundo da verdadeira Literatura, que foi roubado de um justo vencedor. Para estes últimos deixo estas palavras:

Come writers and critics
Who prophesize with your pen
And keep your eyes wide
The chance won’t come again
And don’t speak too soon
For the wheel’s still in spin
And there’s no tellin’ who
That it’s namin’
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin’

Se há coisa que Bob Dylan me ensinou, numa altura bem crucial da minha formação enquanto ser consciente, foi que o Mundo não é uma entidade estanque e capaz de permanecer imutável para conforto daqueles que o habitam. Enquanto existir, Ele vai sempre rodar sobre si mesmo e com Ele os constantes ventos de transfiguração do passado. E Bob Dylan foi e é um desses propulsores de mudança: é possível traçar até ele um caminho de volta de quase toda a (boa e má) música que ouvimos no dia de hoje. E Dylan deu, à Música, a possibilidade transgressora de mudar perspectivas e atribuir-lhe um peso superior ao que existia antes.

Por isso o porquê de estar aqui a deambular sobre Dylan sem mencionar a sua ligação à causa LGBT – e ela existe de formas mais ou menos óbvias – é isento de explicações. No entanto deixo aqui uma canção composta em conjunto com o poeta Allen Ginsberg sobre uma paixão pelo jovem de nome Jimmy Berman. Dylan toca, Ginsberg recita. Estávamos em 1971! Bons dias e boas leituras:

 

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