Música com Q: 4 de Novembro

Depois de uma semana menos centrada nos lançamentos da semana e mais focada no perfil e influência de uma artista como PJ Harvey, voltamos à rotina que nunca o é. Esta semana temos o tão antecipado novo disco de Alicia Keys, ‘HERE‘, o sexto de originais da Nova-Iorquina de Hell’s Kitchen. Produzido por Keys, é um intencionado regresso manifesto político e social e um inusitado regresso às origens da sua música e do soul, r&b e gospel que marcaram os seus dois primeiros (grandes) álbuns. Aparece na capa totalmente despida de artifícios que incluem isenção total de maquilhagem e com o cabelo notoriamente frisado. Uma deliberada e desarmante celebração da beleza negra feminina, num momento tão crucial do movimento Black Lives Matter, também já artisticamente explorado por Solange no ainda tão presente ‘A Seat at the Table. “The Gospel” e “Holy War” são, respectivamente, o prelúdio e epílogo perfeitos para aquele que se adivinha um dos álbuns mais marcantes da carreira de Alicia Keys.

Temos também novos regressos de outros veteranos como Robbie Williams e o seu ‘The Heavy Entertainment Show‘ e os Bon Jovi com ‘This House is Not For Sale’. A menina-prodígio da pop Charlie XCX também lançou a semana passada o seu novo single “After the Afterparty”, o primeiro do álbum a ser lançado em Março de 2017. Aqui mantém-se a jovialidade que lhe é característica com a promessa quase pré-nostálgica de juventude eterna, não muito longe de “We Can’t Stop”, o tema que redefiniu Miley Cyrus. Ainda na pop pós-adolescente temos também as britânicas Little Mix a entregar mais uma amostra de ‘Glory Days’, desta vez “F.U.”, numa balada com cheiro a Motown a obrigar o desligar permanentemente de um amor nefasto.

Mas deixamos o destaque merecido com Alicia Keys e com The Gospel, não só um tema de ‘HERE’ como também uma curta-metragem da cantora, compositora e instrumentista a focar problemas de foco racial como a brutalidade policial que se vive de momento nos Estados Unidos. Depois de alguns anos menos bons Alicia Keys parece ter novamente encontrado o caminho que tinha começado a trilhar há 15 anos. Bem-vinda de volta.

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