O Terrorismo Trump Já Começou

Passaram já 7 dias inteiros desde a ascensão inesperada e assustadora de Donald Trump a Presidente dos Estados Unidos da América. Enunciar tal coisa como facto consumado é ainda doloroso e esgotante. Tentar encontrar uma explicação para tal ter acontecido é duvidar da própria Humanidade, como tal é um acto infrutífero e que se adivinharia fatídico e totalmente depressivo. Mas a realidade está aqui e apenas 24 horas depois da eleição de Trump, o mal-fadado Day 1, as ondas de intolerância faziam-se sentir por toda a América. Apoiantes de Trump têm vindo desde então a incitar medo juntos das minorias raciais, religiosas e LGBT, em actos assustadores de supremacia branca que foram despoletados pelo aval dos votantes a Trump e das suas ideologias conservadoras. E racistas. E homófobicas. E transfóbicas. E misóginas. 43% das mulheres brancas votaram a seu favor, dizendo às suas familiares, amigas, filhas e netas que um comportamento predatório sexual e a desvalorização da luta feminista não só é aceitável como celebrado.

Os primeiros crimes de ódio fazem-se sentir primeiro nas minorias religiosas e raciais já por demais massacradas antes de Trump ser eleito, vítimas de um ódio desmesurado apenas por serem Muçulmanas ou terem emigrado de um país do Médio Oriente. As comunidades negra e LGBT, que tinham experienciado nos anos Obama um avanço dos seus direitos, vieram logo a seguir, bem como os mexicanos, orientais e todas as restantes minorias odiadas pela direita extremada. Não é por acaso que o Klux Klux Klan tenha já anunciado uma parada de orgulho na Carolina do Norte no próximo mês de Dezembro, que servirá de agradecimento a Trump. Se isto não é um sinal apocalíptico, não sei o que será. A realidade é que nos últimos anos me deixei ficar um pouco mais confortável e confiante na razão humana. Estava brutalmente enganado.

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Facebook de um amigo de Chris Ball

Em plena noite eleitoral, um homem gay, um cineasta Canadiano chamado Chris Ball, foi violentamente atacado por apoiantes de Trump depois de expressar o seu descontentamento com a eleição do milionário. O resultado foi o espelhado na foto acima e uma visita imediata aos serviços de urgência. Apenas um exemplo. A discriminação para com a comunidade LGBT por parte de Trump já é conhecida. Mas pior que Trump consegue ser Mike Pence, o seu vice-presidente eleito. O Governador do estado do Indiana apoiou a terapia de conversão gay, opôs-se à igualdade no acesso ao casamento e à retração da política “Don’t Ask Don’t Tell”, defendeu a possibilidade de discriminar pessoas LGBT em espaços públicos e no local de trabalho e não achou relevante a questão do acesso de pessoas trans a casas de banho que correspondem-se ao seu género identitário. Abismal.

Todos estes sinais óbvios de discriminação são alarmantes e estão a escalar. O medo vai começar a afectar toda a população LGBT dos Estados Unidos e ameaça chegar à Europa mais cedo do que se possa esperar. É natural pensar que vamos estar mais silenciosos e receosos do que esta validação da intolerância vai-nos trazer. Mas é agora o momento para não nos deixarmos calar ou arriscamos perder os direitos humanos básicos que finalmente reivindicamos após décadas de dolorosa luta. É crucial continuarmos a ser nós próprios e a não admitir que nos silenciem ou tornem invisíveis. Estes actos de terrorismo nunca irão ganhar, mesmo quando têm o selo de aprovação do gabinete do homem mais poderoso do Mundo.

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