Assexualidade E Pastéis De Nata

Em primeiro lugar quero dizer que a terminologia usada por mim não é de todo científica e apenas traduzida de informação que encontrei online e cujas fontes menciono no final do artigo.
Em segundo, este texto é apenas uma abordagem muito superficial ao tema. Os meus conhecimentos sobre o assunto limitam-se a experiência pessoal e a pesquisa feita online. Não tenho qualquer formação científica ou profissional sobre o assunto.

A assexualidade é uma orientação em que uma pessoa não experimenta atracção sexual por nenhum sexo e/ou género e tem pouco interesse em actividade sexual.
De notar, porém, que o corpo de uma pessoa assexual é perfeitamente funcional. Reage ao toque como qualquer outra pessoa, isto é, um assexual experimentará excitação física e provavelmente terá prazer no sexo, quando tocado de uma forma que lhe seja agradável pessoalmente.

A assexualidade não é a falta de funções sexuais, é apenas a ausência de atracção sexual, e o sexo pode acontecer sem atracção específica. Por exemplo, um assexual sexo-positivo pode ter uma vida sexual bastante activa por outras razões que não a atracção. Ligação emocional, prazer físico, relaxamento e diversão, são razões perfeitamente válidas para disfrutar de sexo, sem que seja necessária atracção sexual.

Como em qualquer outra orientação sexual, na assexualidade – tal como na homossexualidade e na heterossexualidade – o importante é o que a pessoa sente e não o que a pessoa faz. Namorar, ter relações sexuais, masturbar-se, casar, ter filhos, são coisas que não negam a assexualidade. Há uma imensidão de razões pelas quais uma pessoa assexual pode fazer todas estas coisas sem que a atracção sexual esteja presente.

Sentir excitação sexual ou experimentar orgasmos também não negam a assexualidade.

Um outro detalhe importante é que a ausência de atracção sexual não implica – de forma nenhuma – a ausência de atracção romântica. Para a maioria das pessoas, as duas estão ligadas de tal forma que não imaginam uma sem a outra. É, no entanto, muito comum que os assexuais sintam atracção romântica e se apaixonem.

Como em todas as orientações, estas coisas não são pretas e brancas e há todo um espectro dentro da assexualidade. Desde assexuais que sentem completa repulsa pelo sexo (sexo-negativos); a assexuais que sentem atracção apenas em raras ocasiões (assexuais-cinzentos); assexuais que apenas sentem atracção depois de terem criado uma ligação emocional profunda com a outra pessoa (demissexuais); assexuais que, embora não sentindo atracção, disfrutam do sexo apenas porque é física ou emocionalmente agradável (sexo-positivos).

Pensemos em sexo como se fosse… um pastel de nata!

Um assexual nunca tem fome. Quando vê um pastel-de-nata não tem vontade de o comer. Não significa que odeie pastéis-de-nata ou que os ache nojentos. Apenas não tem fome.

Um demissexual normalmente não tem fome. Mas, ocasionalmente, se for de uma pastelaria conhecida e onde se sinta à vontade, é capaz de sentir algum apetite.

Um assexual cinzento pode sentir fome, mas é raro.

Nenhum deles escolheu não ter fome.

Um assexual sexo-negativo não gosta/odeia pastéis-de-nata por diversas e válidas razões.

Um assexual sexo-indiferente não se importa com pastéis-de-nata. Até pode comer um de vez em quando, mas na grande maioria das vezes não se desvia do seu caminho para ir à procura de pastéis-de-nata.

Um assexual sexo-positivo gosta de pastéis-de-nata. Não tem fome quando come pastéis-de-nata nem os come para matar a fome. Apenas os come porque sabem bem.

A diferença entre um assexual e uma pessoa celibatária/abstinente é que esta última está a dieta. Isto é, de uma forma geral, uma pessoa celibatária tem fome, apenas escolhe não comer. Um assexual pura e simplesmente não tem fome.

Uma sub-secção (chamemos-lhe assim) da assexualidade que eu, pessoalmente, acho muito interessante, é a autocorissexualidade (mais uma vez, limitei-me a traduzir uma expressão que apenas encontrei em inglês).

A expressão “autocoris” foi patenteada por Anthony Bogaert e essencialmente traduz-se por “sexualidade sem identidade”.

Segundo este autor, a autocorissexualidade é a separação entre a pessoa e o objecto da excitação; pode envolver fantasias sexuais ou excitação em resposta a erotismo ou pornografia, mas sem qualquer desejo de ser participante nessas actividades.

Essencialmente, a pessoa gosta do conceito de sexo, gosta de ler/escrever/ver conteúdos sexuais, mas não experimenta atracção nem quer ter relações sexuais com ninguém.

Poderá ser autocorissexual se:

– se excita com conteúdos sexuais, mas não tem qualquer vontade de praticar qualquer actividade sexual;
– se masturba, mas a ideia de ter sexo com outra pessoa é-lhe indiferente ou repulsiva;
– quando fantasia sobre sexo, imagina outras pessoas que não a si própria e/ou visualiza a situação na terceira pessoa, como se visse na televisão, em lugar de a imaginar na primeira pessoa, com os seus próprios olhos;
– fantasia predominante ou inteiramente sobre personagens de ficção ou celebridades, em vez de sobre pessoas que conhece de facto;
– se identifica como assexual e não sente atracção sexual por outras pessoas, mas gosta de se masturbar, se sente estimulado por conteúdos sexualmente explícitos e/ou tem fantasias sexuais;

A assexualidade traz consigo uma outra discussão: pertencem os assexuais ou não dentro da comunidade LGBT?
Deixamos para um próximo texto e, entretanto, sejam felizes e comam pastéis-de-nata.

Ou não.

Façam o que vos faz felizes.

assexualidade-lgbta-escrever-gay-portugal

Para mais informações:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Assexualidade

Asexuality Archive Intro: What is Asexuality?

Asexual Outreach

Asexual Visibility and Education Network (AVEN) Overview

Asexuality Overview (video)

Asexuality by Tiny Dinosaur

The Asexuality Visibility & Education Network

The Asexuality Archive

New England Asexuals

The Asexuality Story Project

Demisexuallity.org

The Asexual Agenda

Fonte: P3 (fotografia)

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