Sobre o Assassinato – filmado – de Dandara dos Santos

No passado dia 15 de fevereiro, Dandara dos Santos foi brutalmente assassinada em Fortaleza, no Brasil. Três adolescentes e dois adultos foram entretanto capturados e a polícia brasileira procura ainda mais pessoas ligadas ao extremo ataque transfóbico.

O assassinato ganhou projeção internacional – e é aqui que entra a questão – devido a um macabro vídeo que mostra os últimos momentos do ataque a Dandara e que se tornou viral nas redes sociais. Não vi o vídeo, nem partilharei qualquer link. Um vídeo destes – com a tortura e o linchamento de uma pessoa – só diz respeito às autoridades competentes que tiveram conhecimento do mesmo e que alegaram as investigações estarem “bem adiantadas“. O resto, pese embora o simbolismo que o caso possa ganhar, é um desrespeito à memória e à dignidade de uma pessoa.

No Brasil foram assassinadas 144 pessoas trans apenas em 2016 (de 57 em 2008) que serão uma pequena ponta, adivinho, dos milhares de outros ataques transfóbicos no país. É neste limbo que, confesso, me divido, porque se é verdade que as autoridades foram pressionadas a reagir e a tomar posição pela atenção recebida nas últimas semanas através das milhares de partilhas do vídeo, também é válido questionar quantas das partilhas não são também elas uma imposição sobre a derradeira vítima, quantas delas são, na realidade, um olhar macabro e sádico sobre a morte de uma pessoa trans?

Importa, pois, educar. Importa, pois, conhecer e aproximar. As pessoas, sempre as pessoas. E a resposta já estará meio dada. Até lá, sempre Dandara dos Santos. Esta e nunca outra mais:

Dandara-dos-Santos

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