7.22 – I’m gone for the night*

* Excerto de “I need ya”, de Isaura

Ruelle é o nome artístico escolhido por Maggie Eckford, uma americana já com alguma experiência no meio musical, tendo algumas das suas músicas sido utilizadas nos genéricos de algumas séries de televisão. Embora a sua educação musical tenha decorrido na Austrália, atualmente está baseada em Nashville que, embora seja um sítio muito conhecido pela sua tradição em música country e rock-and-roll, parece não ter tido uma influência significativa na sua sonoridade, que se poderá caracterizar como uma espécie de indie pop com laivos eletrónicos.

Maggie refere adorar viajar, experimentar coisas novas e ter um fascínio pelo oceano, que tem raízes já na sua infância, quando tinha uma certa obsessão com “A pequena sereia” e passava os seus dias a cantar as músicas do filme. Não sendo certo se terá sido este momento que a levou a querer prosseguir uma carreira na música, o facto é que veio a chegar à conclusão de que a música teria que estar de alguma forma envolvida na sua vida. Embora sinta as dificuldades associadas a ser uma artista independente, julga que o importante é aprender a ser feliz independentemente das circunstâncias em que se encontra, defendendo a importância de trabalhar e de ter sonhos grandes, mas não deixar que a sua identidade seja completamente definida apenas por estes aspetos. Nas palavras da própria Maggie, “I think the sooner you learn to let go of things that are out of your control, the more things will start to happen naturally for you and open new doors for you”.

Apesar da adoção do nome artístico Ruelle, Maggie continua também a trabalhar em nome próprio: ambas coexistem simultaneamente e o processo de criação musical é comum a ambas.  Após estar satisfeita com o resultado, Maggie analisa a sonoridade final em mais detalhe e opta por assiná-la como Maggie Eckford ou como Ruelle – enquanto Maggie Eckford adota um estilo predominantemente indie pop, Ruelle cria uma ponte mais óbvia entre pop e eletrónica.

Embora tenha lançado já dois álbuns sob o nome Maggie Eckford (“For what it’s worth”, em 2010, e “Show and tell”, em 2012), a adoção da designação artística de “Ruelle”, que marcou alguma alteração na sua sonoridade, tornando mais óbvia a direção eletrónica, viu apenas surgir ainda três EPs, ”Up in flames”, em 2015, “Madness”, em 2016 e, mais recentemente, “Rival”, já este ano, do qual faz parte a música que trago hoje.

Isaura é um dos novos nomes da música portuguesa que inicialmente se tornou conhecida do público aquando da participação, em 2010, do programa “Operação Triunfo”. Algum tempo se passou desde essa altura até ao lançamento, em 2015, do seu EP de estreia, “Serendipity”, uma coleção de canções de caráter intimista com uma sonoridade no género pop com influências eletrónicas, e que lhe permitiu apresentar as suas próprias criações e identidade musical, sem as restrições associadas a um formato televisivo. “Serendipity” é um trabalho coeso e atual, inclusive no que se refere à imagem associada ao álbum, com videoclips cinematográficos que, sendo belíssimos em si mesmos, não roubam o protagonismo à música, mas acrescentam-lhe valor.

Depois deste “Serendipity”, onde procura retratar “(…) a ideia de como tudo acontece por uma razão e que estamos ligados por pontos que tornam as nossas conexões obrigatórias (…)”, Isaura, lançou, em 2016, o single “8 (eight)” e, já este ano, “I need ya”, o mais recente single, que vos trago hoje, em que continua a explorar as sonoridades que marcavam o seu EP de estreia mas com uma produção que reflete não só a vertente intimista que é característica da sua voz mas que acrescenta também alguma energia ao refrão, numa música que, de acordo com a própria Isaura, com quem troquei algumas mensagens, “(…) trata de ir até onde o coração manda, de pazes feitas com a cabeça“. Uma canção que representa mais um passo num caminho que se mantém coeso enquanto demonstra uma versatilidade bem-vinda.

Finalizando, deixo uma mensagem da Isaura, que quis aproveitar o momento “(…) para agradecer a toda a gente que me acompanha e que ouve as minhas canções.”, e deixo-vos o meu próprio convite para descobrirem mais sobre esta artista que escreve e compõe canções para poder contar histórias.

Ainda neste 7.22 trago Noga Erez, uma artista baseada em Tel Aviv cuja música aborda temas complexos como a opressão dos governos, a manipulação dos media ou ataques sexuais. Tal reflete-se na sua sonoridade que, mantendo a musicalidade, consegue por vezes ser algo agressiva, num resultado que tanto se aproxima de M.I.A. como já lhe mereceu ser referida como a resposta israelita a Bjork. Os temas que aborda refletem as suas próprias vivências, afastando-se por isso dos mais comuns temas de relações amorosas que caracterizam a generalidade do panorama musical atual. Embora tenha tido uma infância relativamente calma, em 2014 apercebeu-se mais conscientemente da realidade de viver numa zona de conflito, tendo presentes os ataques de rockets dirigidos a Tel Aviv, em 2014: “Alarms would go off and you’d need to go to a shelter and hear a big boom after it. It took me a year and a half not to freak out every time I heard an alarm. But then it stops. It’s amazing how easily the mind forgets about things and puts them in a drawer. It’s really easy to forget”.

Noga desmistifica os assuntos que trata na sua música, referindo que não pretende ter uma atitude corajosa ao abordá-los, mas considera simplesmente necessário falar neles, não se considerando uma verdadeira ativista já que as suas canções são mais uma conversa consigo própria, tentando perceber o seu lugar no mundo, com tudo o que acontece em seu redor. Uma artista que marca pela diferença e cujo trabalho vale a pena explorar em mais pormenor.

Além dos nomes já citados, a playlist desta semana inclui ainda The Blaze, um duo francês que se tem vindo a tornar conhecido não só pela música que produz mas também pela qualidade dos seus videoclips, verdadeiras curtas-metragens devidamente estruturadas e argumentadas, o indie pop de Nightly e de Saro e a “weird electronic pop music” (de acordo com os próprios) dinamarqueses Blondage.

 

Os destaques visuais desta semana vão para The Blaze (e convido-vos desde já a descobrirem os outros vídeos excelentes deste duo), Nightly e, dando espaço de antena à artista nacional, Isaura, com o vídeo de “Change it”, ainda do seu EP de estreia, para poder partilhar mais uma música e porque continua a cativar pela sua simplicidade.

Enjoy!

The Blaze – Territory

 

Nightly – Talk To Me

 

Isaura – Change it

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