7.25 – They all wanna party, I wanna be alone*

* Excerto de “Gravity”, de Kill J

Kill J, também conhecida como Julie Aagaard, já tinha antes passado por esta rubrica. Na altura, trouxe um dos singles do EP disponível na altura, não existindo ainda uma data prevista para o lançamento de um álbum completo. Esse álbum ainda não existe, mas está mais próximo, e a música que vos trago hoje é a prova disso: “Gravity” é o primeiro single daquele que será o álbum de estreia desta dinamarquesa que tem vindo a surpreender pela positiva, aliando sons eletrónicos a uma voz facilmente reconhecível que se destaca pela sua aparente fragilidade, numa fusão que resulta original e coesa. O mais recente single é um excelente exemplo da sonoridade que tem vindo a marcar as músicas lançadas até agora, e procura retratar um momento de crise, quando tudo em redor parece caótico, e a possibilidade de encontrar conforto na estabilidade das leis da natureza, como a gravidade. A intensidade emocional está presente, como aliás em praticamente todas as músicas de Kill J, que adota aqui uma abordagem ligeiramente mais pop e menos alternativa, conferindo-lhe assim talvez um ambiente menos dramático do que o associado a alguns dos seus trabalhos anteriores. Este novo single reafirma Kill J como uma artista que inspira curiosidade e, sem dúvida, expectativa quanto ao lançamento do seu álbum.

Alex Carrie é um produtor e compositor que, de acordo com a biografia do próprio, chega das regiões selvagens de Derbyshire, no Reino Unido, onde o último autocarro passa às 17h e o nightclub mais próximo fica a £50 de distância, de táxi. Sem prejuízo, o facto de viver nesta “região inóspita” não parece ter constituído um entrave para que Alex desenvolvesse as suas habilidades musicais, tendo começado por apreciar punk e por tocar trompete em bandas de ska, e eventualmente adotado o nome artístico de Krrum enquanto trabalhava num talho. As suas tendências musicais tornaram-se mais focadas quando, na faculdade, conheceu o também compositor Harrison, que dá voz ao projeto Krrum, tendo vindo assim a adotar uma sonoridade no universo da indie eletrónica, da qual a música de hoje, “Moon”, é um ótimo exemplo. De acordo com Krrum, esta é uma música sobre a vontade de querer começar uma relação com alguém, mas ao mesmo tempo ter receio de apressar as coisas e acabar por estragar o momento: “It’s an uncomfortable place to be because you have no control and you’re probably gonna mess it all up, like you always do.“. Um tema com alguma ansiedade associada mas que é rapidamente esvanecida quando se ouve a música em causa, que acaba assim por ter um efeito terapêutico.

Amber Mark cresceu a viver em vários sítios distintos, com a mãe: até aos nove anos nos Estados Unidos, tendo-se então mudado para a Índia onde viveu durante quatro anos, após o que se seguiu Berlim, uma experiência que certamente terá influenciado o seu processo criativo. Em particular, são notórias as influências indianas na sonoridade de alguma das suas canções. A dedicação mais focada à sua criação musical, que veio a concretizar-se no seu EP de estreia, “3:33 am”, lançado este ano, surgiu como forma de lidar com a perda da sua mãe, por doença, em 2013. A arte e, em particular, a música, surgiu como forma de Amber lidar com esse momento, transformando o seu luto em canções, com esta “Lose my cool” que vos trago hoje, uma canção em que Amber descreve o modo como, durante o período em que a escreveu, tudo a fazia perder a paciência: “I was so full of pain, just stuck in my head / There was no way for me to get over it / So I kept it bottled up all inside of me / ‘Til I felt the pressure I could no longer breathe”. Apesar do enquadramento deste EP, Amber não considera que o mesmo tenha um espírito de tristeza – embora foque um momento devastador, ela entende que era importante ter algo que fosse inspirador. Por isso, embora aborde momentos difíceis, a sua intenção é deixar transparecer alguma luz: “It does get better, it does get easier.”. Tendo tido um sucesso viral com a primeira música que lançou na Internet, na altura ainda sem qualquer contrato discográfico, Amber encontra-se agora já a trabalhar no seu próximo projeto, que em princípio será o seu álbum de estreia.

A playlist desta semana inclui ainda Tender, LAOISE, Flint Eastwood e Tom Rosenthal, naquela que é uma coleção de músicas que, no seu conjunto, criam uma atmosfera ideal para certos momentos de introspeção, suficientemente pontuados por algumas notas mais coloridas. A ouvir e a repetir, já que esta repetição lhe deixa transparecer essas qualidades.

Este é o 7.25.

 

Os destaques visuais desta semana vão para a brilhante Kill J, para Krrum, com um lyric video que, pela originalidade e composição visual, merece ser partilhado, LAOISE, com uma fotografia e cor que espelham a sonoridade quase hipnótica da sua música, e Amber Mark, com um vídeo com uma abordagem aproximada a um home video que reforça a proximidade e intimidade da voz de Amber e com o qual é impossível não nos sentirmos mais próximos desta artista.

Enjoy!

 

Kill J – Gravity

 

Krrum – Moon

 

LAOISE – Halfway

 

Amber Mark – Lose My Cool

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