2017: Memórias De Um Ano Arco-Íris

Dia 31 de dezembro e as inevitáveis listas de melhores – ou piores – do ano. Incapazes de fugir a esta regra implícita, damos destaque mensal a um tópico nacional ou internacional que tenha marcado o respetivo mês. Entre temas polémicos e unânimes, vale a pena recordar 2017 pelos textos e pelas imagens, vamos a isso?

Janeiro foi o mês que viu Trump tomar posse e com isso todas as voltas e revira-voltas que a atual administração da Sala Oval tem levado a cabo, de forma mais ou menos explícita, contra a população LGBTI norte-americana.

Fevereiro é, por excelência, o mês do cinema e em particular dos Óscares, mas neste ano que finda a cerimónia viu-se tomada em polémica quando ocorreu a troca dos envelopes e foi anunciado o vencedor errado. Longos e constrangedores segundos depois tudo se clarificou: Moonlight ganhou mesmo o Óscar de melhor filme.

Estando no segundo mês, podemos já fazer uma batotice? É que fevereiro foi também o mês em que o projeto se reinventou tal como o conhecemos e trouxe várias novidades com a criação do esQrever.

Seguindo para março, houve uma campanha que se impôs e fez muitos olhares se virarem e, igualmente, muitos artigos serem escritos. A planta e o seu homem em tronco nu, pois claro! E respeitando o nosso mote, a pluralidade fez-se sentirna diversidade de opiniões.

Abril ficou marcado pela denúncia da detenção e morte de pessoas LGBTI na Tchetchénia. A notícia foi desmentida pelas autoridades oficiais mas foi eventualmente confirmada por meios de comunicação internacionais. Até hoje ainda se está por perceber a extensão de tal medida.

Foi em maio que se realizou o primeiro encontro internacional sobre visibilidade e inclusão LGBTI no local de trabalho em Portugal, marcando assim um dos pontos mais importantes na qualidade de vida da população LGBTI portuguesa: o coming out e a aceitação nos próprios empregos.

Junho é o mês do Orgulho em Portugal. E este ano demos ânimo à discussão sobre os moldes da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa levantando duas questões: Pride ou o Portugal dos Pequeninos? e Afinal Há Vários Tipos de Orgulho LGBTI? Esta é uma discussão que importa debater no ano em que tanto a Marcha como o Arraial tiveram participações recorde.

Todas estas ideias voltaram a ser reiteradas em julho, mês do World Pride em Madrid, dos seus machões e do seu pinkwashing. Isto enquanto em Portugal se debatia entre a liberdade de expressão e as declarações homofóbicas de Gentil Martins.

Agosto foi um mês igualmente quente, em que pela primeira vez Portugal teve uma política, Graça Fonseca, a assumir-se homossexual. E, neste caso em particular, é especialmente importante a visibilidade das mulheres num mês em que também se discutiu largamente o papel de cada género e o feminismo.

E no seguimento de toda esta discussão surgem em setembro os projetos de lei sobre a auto-determinação de género no Parlamento. Portugal tem aqui a hipótese de se colocar na linha da frente dos países no que toca a um dos pontos fulcrais da forma como são percecionadas e vividas questões de género.

Outubro deu voz a milhares de vítimas. Através de denúncias em série fortalecidas, por fim, pelo movimento #metoo, gigantes de Hollywood tombaram perante acusações de assédio e abuso. Desde Weinstein a Spacey, são vários os nomes que se vêem envolvidos em escândalos sucessivos. As mulheres – e alguns homens também – têm finalmente a força, a forma e o poder de acusar os seus agressores, anos – décadas até – depois de terem sido atacadas. As vítimas ganharam, por fim, voz. E o mundo ouviu.

Foi no mês passado que a Direção Geral de Saúde anunciou a aprovação da Profilaxia de Pré-exposição da Infeção por VIH (PrEP), uma estratégia de prevenção que, em conjunto com o uso de preservativo, passa pela tomada de medicação antes de uma possível infeção.

Ainda este mês, e para terminar, foi anunciada a série #CasaDoCais da RTP que acompanha a vida diária de cinco amigos e amigas que vivem numa mesma casa no centro de Lisboa. Sexo, álcool, drogas e histórias desprovidas de tabus que prometem retratar a vida dos e das millennials em Portugal numa procura pela sua própria identidade. Polémicas à parte, aguardamos os primeiros episódios já a partir de 15 de janeiro!

A diversidade dos temas por aqui retratados adivinham um 2018 igualmente rico e preenchido. É isso que vos desejamos, orgulhosamente 🙂

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