#8 – Vampiralho: “Uma ilustração por dia para combater a fobia!”

A ilustração homoerótica em Portugal é hoje em dia ainda um pequeno-micro-nicho-de-mercado, mas há quem se aventure nesta arte quase exclusivamente por Amor à Arte. É o caso do Vampiralho – ou Nelson – com quem nos últimos meses troquei palavras para melhor entender em que estado está o mundo das ilustrações eróticas nacional. Pelo caminho falámos dos limites da arte, do poder das fantasias e da componente ativista que pode – ou não – associar-se à mesma. Tudo com muito humor à mistura e linguagem por vezes forte e pujante, tal como muitas das suas ilustrações.

Por isto, fica desde já o aviso a pessoas mais sensíveis a este tipo de linguagem e ilustração. Às restantes, vale mesmo a pena relaxar, ler e, claro, apreciar sem tabus:

O mundo das ilustrações homoeróticas é uma das expressões artísticas mais icónicas entre a população LGBTI (basta pensar no Tom of Finland). Como vês a tua arte inserida neste mundo?

A ilustração erótica é uma expressão icónica e linda, não só a homoerótica! Recordo o hentai, que desenhei muito, em tempos, ou mesmo o erotismo das mulheres do Luis Royo ou do Milo Manara. O Tom é, sem sombra de dúvida, uma enorme referência para mim mas, confesso, não comecei por aí, esta última fase da minha “arte”. Comecei pelo Ismael Álvarez, o Patrick Fillion, o David Cantero, mais recentes é verdade, mas eles são referências importantes de quando comecei a pensar “Eu gosto mesmo é de desenhar isto!“. Eles e muitos outros artistas/pessoas que sigo religiosamente, alguns com quem até partilho ideias e opiniões (é fácil de descobrir, basta ver quem eu sigo no Instagram, acho que estão lá todos).

Desde miúdo que sempre tive ‘jeito’ para desenhar, é o que contam, mas sempre achei que não dava dinheiro e que não queria viver disso. Hoje, queria ter mais tempo para dedicar aos desenhos, que ainda não são o meu ganha-pão e até me arrependo um pouco de não ter pensado nisto mais cedo.

Não sou uma referência, mas também nunca me apresentaram portugueses que gostem de o fazer (vá, conto dois) e apesar de até nem ter um número ativo de seguidores, tenho pessoas que gostam daquilo que faço (cá e lá fora) e isso deixa-me feliz e motivado a fazer mais. Se um dia, o nome Vampiralho chegar a ser uma referência em Portugal, serei um artista realizado, mas tenho dúvidas que se consuma muita arte homoerótica no nosso país: até hoje e que eu tenha conhecimento, fiz um trabalho pago com cariz sexual para um português.

Consequências de um mercado pequeno e tendencialmente conservador?

Nunca fiz um estudo de mercado (se calhar devia), mas talvez seja uma mistura de ambas com uma terceira: falta de conhecimento (deste tipo de arte ou artistas)! A verdade é que se pensarmos num outro nível, as pessoas compram ou encomendam arte? Compram ou encomendam desenhos? Sim, mas muito poucas! Consigo contar pelos dedos das mãos os trabalhos pagos em dinheiro. Portanto, é um mercado pequeno. Conservador também e muito heteronormativo.

Normalmente não falho um Festival da Amadora BD e não me lembro de alguma vez ter visto nada do género, mas lembro-me das salas para maiores de 18 e de ter que pedir à minha mãe para ir lá comigo, porque não me deixavam entrar sozinho. E só recentemente é que os gigantes dos comics começaram a deixar os super-heróis saírem do armário (acho maravilhoso e é um grande sinal de mudança positiva).

Lá fora existe mercado. Existem editoras de comics só homoeróticos e pornográficos, Convenções até exclusivamente LGBTI (a Flame Con, por exemplo) onde artistas e ilustradores vão vender e mostrar o seu trabalho. Em Portugal temos algumas Cons e festivais onde existem zonas para artistas, mas nada muito específico para o público que eu quero e tento ‘seduzir’.

E assim chego ao terceiro ponto: a falta de conhecimento. Se não souberem que existimos, como podem chegar a nós? Aqui temos que ver o papel super importante que a Internet e, consecutivamente, as redes sociais têm para mim (e para outros). Com o Instagram (uso este exemplo, por ser a rede social à qual dou mais atenção) tenho chegado um bocado a todo o mundo. Culpo-me por escrever muito em Inglês e às vezes lembro-me e escrevo também em Português (o Brasil está em segundo lugar no meu top 5 de seguidores) para tentar chegar a todos!

Vale a pena referir que, para mim, desenhar um corpo nu ou uma cena sexual de ou para um cliente não é uma forma de catfishing para guardar nudes numa pasta no meu computador ou no telemóvel. E a última coisa que vou fazer é julgar ou apreciar o que quer seja. Não tenham medo de imortalizar numa ilustração o vosso corpo ou aquele momento intimo! 😉

Como acontece essa ligação com a pessoa interessada numa ilustração tua? Costuma haver alguma exigência concreta e “ultra-específica”? Imagino um processo semelhante à criação de uma tatuagem… ou não?

Sim, é um processo semelhante como é, alias, qualquer processo criativo (acho eu). Existem dois tipos de pessoas: as que sabem o que querem no momento em que me contactam e aquelas que só sabem que querem, mas não têm qualquer ideia do que pretendem comissariar! Com as primeiras é fácil de gerir (vou tentar dar exemplos, talvez seja mais fácil). Normalmente ou querem precisamente ilustrar uma foto que já têm (seja delas ou de terceiros) ou querem que eu crie algo único mas com base naquilo que idealizam como sendo o trabalho final (pode ser uma cena totalmente criada por mim de raiz ou uma mistura de várias coisas: a cara de A, com o corpo de B a fazer C com a pessoa D).

As que querem uma ilustração feita por mim mas não sabem bem o quê, vamos falando. Normalmente eu tento perceber do que é que a pessoa gosta: um filme, uma banda desenhada, um ator, um cantor, uma personagem, etc. Vou explorando esta conversa e lançando algumas ideias que me passem pela cabeça até acertarmos numa. Este tipo de clientes dão um pouco mais de trabalho inicialmente, porque é preciso desenvolver, procurar interesses e chegar a um acordo, mas também permitem uma liberdade total para eu fazer o que quer que seja, porque não vêm com uma ideia preconcebida e isso dá-me muito gozo.

Em qualquer uma destas duas situações, vamos sempre falando e acertando coisas, eu faço um esboço inicial com base no que é proposto, e vou fazendo alterações até estarmos satisfeitos. Quando se acertam todos os pormenores, vou avançando até ao produto final. Este já depende de quanto o cliente quer gastar (podemos ficar pelo esboço – com muito mais detalhe; só linhas – pretas ou outra cor; uma ilustração colorida com ou sem sombras). Vou enviando sempre algumas fotos do processo para a pessoa também ir acompanhado o desenvolvimento do trabalho e podemos ir mudando pormenores até estarmos ambos satisfeitos com o resultado. Quando está terminado é só anexar a imagem de alta definição num email e enviar, depois cada um faz com ela o que quiser!

Existem imensos sites que fazem impressões em praticamente todo o tipo de materiais: telas, almofadas, roupa, capas para telemóveis.. As maravilhas do século XXI são fantásticas! 😀

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Já tiveste algum projecto particularmente desafiante e que te tenha dado especial gozo?

É uma questão difícil… Normalmente tenho sempre muito gozo em tudo o que faço! No entanto, há um ou outro trabalho que eu gosto mais, óbvio. É sempre muito desafiante, até porque eu sou de longe realista, fazer com que um desenho acabe a parecer a pessoa original. Isto é ponto assente! E, claro, com tanto desenha, apaga, volta a desenhar, apaga de novo e desenha mais uma vez, à medida que o boneco vai crescendo e ficando mais parecido há algo que me deixa de sorriso na cara e contente. Contudo, há momentos em que as coisas não fluem tão bem: a pose não é a ideal, a referência que escolhi é péssima, etc… O desafio aumenta, mas a pica também!

Sou perfecionista com o que é para os outros, mas menos com que é apenas para publicar, porque esses trabalhos são “meus” (mesmo que os partilhe com o público). E os favoritos, fazem parte deste grupo, porque me obrigaram a ver as coisas com outros olhos ou a ter que ler sobre este ou aquele tema. Por exemplo, amo a ilustração que fiz sobre a transexualidade [acima]. Eu queria abordar o tema, mostrar que é normal, que existe, mas não sabia como. Fui ler, fui-me informar, fui procurar referências e cheguei à conclusão que muito do que me aparecia eram shemales (perdoem os termos, mas são mulheres com pila). Mas eu não queria isso, “está muito visto” (pensei eu). Eu queria um homem, mas sem pila, ok? Decidi ir espicaçando os meus seguidores… Fui metendo nas Instastories (aquelas coisas que ficam no Instagram durante 24h) partes do desenho. Aliás, uma parte muito específica! 😉 Recebi reações muito diferentes: simples “Ewwwwws” (óbvio, estava à espera, estão lá para ver as minhas pilas desenhadas); pelo menos uma pergunta “Vais mudar o teu estilo? Gostava mais quando desenhavas homens!” (perfeito, estou no caminho certo! Era isto que eu queria!); e algumas pessoas perceberam exatamente o que era! Após publicado, fiquei super contente: por mim, por tê-lo feito; por quem é trans, porque não é normal vê-l@s representad@s em desenhos; pelas pessoas que lá foram comentar com palavras bonitas; pelas mentes abertas! 😀 Valeu cada minuto que despendi naquela ilustração, ganhei muito muito mais!!

Pode então dizer-se que o teu trabalho não é meramente erótico ou pornográfico, dado que espelha uma postura de consciencialização de temas LGBTI como a questão Trans que falaste, a luta contra o VIH/SIDA ou simplesmente o Orgulho na nossa identidade. São estes exemplos espelhos de um criador ativista?

Sim, é verdade, eu não crio só coisas eróticas ou pornográficas! Eu também desenho coisas fofinhas (poucas, vá). Agora acho que estou muito longe de poder ser chamado ativista! Faltam-me uns danoninhos… Mas quando chego a casa e ligo a TV ou vou nos transportes públicos, a ler notícias, a ver o que se passa no mundo, como vão as decisões polícias cá e lá fora, é impossível ficar indiferente a certos assuntos, especialmente aqueles que tocam à comunidade LGBTI.

Muitas vezes este país peca pelas notícias que nos fazem chegar mas, felizmente, temos a Internet! Mas há países muito piores! E vejamos, estão ali 6000 pessoas tecnicamente (alguns robots, algumas contas duplicadas, spam, contas falsas, por aí), mas se conseguir fazer com que 6000 pessoas ganhem consciência de determinados assuntos, fico muito contente! Aliás, espanta-me como às vezes outros, com muitos mais seguidores, com mais voz, não se dão ao trabalho de passar simples mensagens (fica a dica)!

Eu gosto muito da ideia que “as fobias combatem-se com informação“, porque é verdade! Temos medo do que não conhecemos… E se passarmos a conhecer? Perfeito! Espicaçar o interesse de alguém é o suficiente para fazer com essa pessoa procure informação sobre o tema. E isso leva a mudanças em muitos casos! Estas são positivas. Há ainda muito para mudar, existem muitas barreiras para quebrar… Mas uma ilustração por dia, para o combate à fobia! Talvez fosse uma boa ideia para junho. Não, espera, já se faz! Vá, é verdade a máxima: um imagem vale mais que mil palavras. Não me chateia nada criar e imaginar ilustrações que passem uma mensagem positiva.

Olha, outro exemplo, a ilustração da cura gay: temos um feiticeiro com um frasco de poção… vazio! Não há, pessoas! Não existem feiticeiros! Não há cura gay, nem lésbica, nem trans, nem nada! Há amor, ponto. Isto é um modo de vida, não é ser ativista. É tentar ver pelos olhos dos outros, é metermo-nos no lado de lá e refletir sobre isso. 🙂

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Pode dizer-se que o ativismo conhece várias frentes e distintas formas de expressão, na realidade – e como disseste – um modo de viver uma vida conjunta. E sobre estas lutas e linhas traçadas por nós ou por outrem, existe algum tema-tabu nas tuas ilustrações?

Quem acompanha esta minha viagem pela arte também vai dando ideias: “desenha isto“, “desenha aquilo“, “devias desenhar A ou B“. Isso vai moldando um pouco o que produzo, mas nem sempre tudo é possível de atingir com um desenho. Sei que há assuntos onde nunca toquei, não porque não queira, mas porque às vezes é difícil expressar só numa imagem, sem texto (e não falo nas palavras do post, refiro-me a um balão de fala, como nas bandas desenhadas) determinadas ideias que também gostava de passar! Por isso é que também queria avançar para um próximo nível! Deixar de lado as imagens “paradas” e começar a fazer pequenos comics, coisas simples, mas que me permitam transmitir mais conteúdo (seja a que nível for).

Voltando à questão: eu tenho moral! E vou sempre recusar trabalhos que sejam contra aquilo em que acredito ou defendo. Partilho uma história, relativamente recente: entraram em contato comigo, queriam um desenho de uma cena com “um jovem rapaz como eu rodeado de crianças“. No início pensei que não tinha lido bem, talvez fosse problema da minha tradução, mas precisava de clarificar e lancei a pergunta – “Estamos a falar de uma cena de pedofilia?“. Do outro lado não tive confirmação, mas também não tive uma negação. Apenas um “é só um desenho. Não tens que partilhar nem dizer que foste tu que o fizeste. Então e não conheces ninguém que não se importe de o desenhar?“. Disse que não apoiava esse tipo de ideias, que não conhecia (porque nunca admiraria) esse tipo de trabalho. Não me lembro muito mais da conversa, mas lembro-me que me deu nojo (como estou a sentir for voltar a falar disto).

É difícil enumerar uma lista certa do que de mim levará um “não estou interessado”, mas basicamente tudo que se relacionar com uma das partes não se poder defender ou consentir/não consentir. As linhas são ténues e cada caso é um caso, daí também ser importante a tal conversa com o cliente, permite-me avaliar o caminho que vai tomar a ilustração. No fim tenho que me sentir bem com o que fiz e ter a consciência limpa. Tipo, uma cena de sexo com um cavalo, eh pah, é um não, mas um centauro (como já desenhei) está ok. São pormenores, mas fazem a diferença!

O Centauro é uma fantasia em si, diria que é todo um processo diferente do subconsciente da pessoa. De onde achas que surgem estas fantasias numa pessoa, quer em figuras mitológicas, quer em – digamos – contornos físicos exageradamente abonados. Existe aí alguma psicanálise que se reflecte nestas imagens?

Tenho que rir! Eu tenho uma amiga psicóloga e já falámos sobre isto, mas eu sou muito brincalhão e ela não “analisa” amigos e a conversa não avançou muito, confesso. Freud diria que a culpa é da mãe ou do pai, não é? Se existe ou não psicanálise não sou a melhor pessoa para o responder! Talvez seja é um bom sujeito para um estudo, um sobre quem cria ou sobre quem gosta! Mas quem é que não tem fantasias? Todos temos… Uns mais que outros, umas mais “comuns” (atenção às aspas, é um termo discutível) outras mais especiais. Há fantasias homo e hetero, sempre houve e sempre haverá. Fantasiar é saudável!

Chegar ao porquê talvez seja mais complicado. Culpa dos tempos de hoje, onde temos muito mais acesso a tudo e somos alimentados por uma indústria porno extremamente rica? Talvez… Mas o porno não é de hoje também. Centauros ou outros seres inexistentes? Uma fantasia com algo que não é real… Quantos de nós lemos Harry Potter e ainda estamos à espera da carta para irmos para Hogwarts? Membros exageradamente abonados? Talvez tenhamos uma pilinha e gostássemos de ser todos como alguns atores de filmes para adultos! 😛 Ou se calhar é mais fácil fantasiar que somos uns cavalares destruidores anais (mas sem magoar ninguém) ou que nos destroem o esfíncter mas na realidade só estamos com um dedo enfiado lá atrás porque dois já dói.

Se me excito enquanto desenho? Às vezes! 😉 Meus amigos, é um ótimo sinal de um bom trabalho. Como também o é quando partilham comigo um normal “fiquei duro com os teus desenhos!“. Pois que fiquem! Para mim é um excelente elogio e fico muito contente por terem capacidade de se abrirem dessa forma tão pessoal. E há quem não o verbalise e o mostre diretamente e até devem estar a realizar uma fantasia nesse momento ao mostrar a um “desconhecido” (ou não, sei lá) todo o esplendor de um membro rijo (e às vezes babado)!!

Acho que acima de tudo o importante é sermos felizes e conscientes dos limites do nosso corpo e do dos outros. Hoje em dia não há desculpa para não nos informarmos sobre como realizar as nossas fantasias de forma segura. Relembro que, porque é comum nestes universos animados que criamos, normalmente, tudo é possível ou permitido, e que na realidade as coisas não são assim: os atores são escolhidos a dedo da mesma forma que eu exagero uma dianteira, ou um traseiro, para deixar a malta a delirar. E nem toda a gente delira, porque já recebi mensagens do tipo “gosto muito da tua arte, mas esses membros grandes, deixam-me mole!” Há gostos para tudo, ainda bem!

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E por falar em gostos, as editoras gostam desta arte em que o coleccionismo será um dos pontos fortes em termos de validação económica?

Eu não tenho nada editado nem estou a pensar editar tão cedo (existe um projeto, meio alinhado, mas ainda precisa de mais uns toques…), pelo que só posso falar do que observo (ou conheço desse universo) ou que foi partilhado comigo por outra pessoa. Existe claramente um tipo, quase “edição de autor” (em que o artista faz tudo), mas que é publicada (talvez a palavra certa seja impressa) por uma gráfica e muitas vezes sem uma chancela de uma editora per se! São comuns e existem muitos artistas que optam por esta via! Um pouco como cá, quando se paga a uma editora pela impressão de uma obra (ocorre-me um exemplo, a Chiado Editora). Depois existem editoras específicas para, por exemplo, comics (banda desenhada), a quem se podem submeter trabalhos/projetos e rezar aos santinhos das artes para nos concederem o milagre da aceitação!

Mas o que conheço é fora deste país e voltamos novamente aos temas da procura, da existência de público e da heteronormatividade, claro. O que encontramos cá? Pouco ou nada fora do “normal”. Basta irmos à secção de arte ou banda desenhada da nossa livraria preferida (ou espaço com obras do género) e vamos encontrar o quê? Um livro do Milo Manara (Edições Asa) com umas maminhas e uns pirilaus, com muita sorte. Por vezes, na secção de arte, um raro exemplar de uma comPILAção de desenhos dos homens do Tom, cortesia da editora TASCHEN.

Não sei se aqui se trata de haver gosto ou não por parte das editoras, até porque estas querem editar aquilo que o público procura (ou quer). De que lhes vale editar um livro se as vendas não renderem (e não o justificarem)? Portanto, nesta área e temática (como é um bocado com tudo, atenção) ou já temos um nome conhecido que eles sabem que vai vender, ou temos que trabalhar por esse reconhecimento, ou pagamos a alguém para imprimir… Mas vamos ser realistas: a maioria prefere aceitar trabalhos comissariados, ir criando, evoluindo, criar e alimentar um grupo de pessoas (chamem seguidores ou fãs…) e se, um dia, passar pela cabeça editar o que quer que seja, esperar que comprem e muito.

Viver das artes não é fácil, mesmo com tantas redes sociais. Não é uma vida das 9h às 17h! Existem carradas de pessoas a fazer o mesmo (que eu faço), a desenhar os mesmos temas, as mesmas pessoas… É algo que requer muito trabalho e dedicação e, como aprendi de alguém, é preciso manter um lema quase todos os dias na cabeça: “Se desenhas pelo dinheiro, vais ser uma pessoa (quase sempre) frustrada. Desenha por gostares de o fazer!” E depois, cada ilustrador tem objetivos diferentes, nem tudo o que fazemos tem que ser para editar. E o simples fato de ser algo digital já desvaloriza um bom bocado, tecnicamente! 😉 No fim, o mais importante é fazermos algo que gostamos e que nos faz sentir bem!

Essa é uma excelente mensagem para terminarmos a nossa conversa. Onde é que as pessoas podem seguir o teu trabalho artístico e – quem sabe? – delinear novos contornos e novas mensagem?

Antes de tudo, MUITO OBRIGADO! Obrigado à esQrever, pelo interesse. Obrigado a ti, Pedro, pelas horas despendidas e pela paciência! Para quem estiver interessado em acompanhar (ou participar) (n)esta minha aventura, pode fazê-lo na minha página do Instagram: The Art of Vampiralho. Na página encontrarão quase sempre tudo à mostra (até a censura chegar) e se não for numa publicação, será numa instastory! Venham, vejam e… divirtam-se tanto a apreciar como eu me divirto a desenhar!!

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