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Homofobia é o motor da segunda temporada de American Crime Story: O Assassinato de Gianni Versace

1997 teve um Verão sangrento. Diana de Gales morre aos 36 anos num acidente terrível que dominou os jornais e revistas durante meses. As memórias dos feitos da princesa e a discussão da violação da privacidade das celebridades eclipsaram outra morte ainda mais violenta apenas dois meses antes: a do revolucionário designer de moda Gianni Versace, assassinado na sua mansão em Miami com dois tiros à queima-roupa.

É esta a premissa para a segunda temporada de American Crime Story, produzida por Ryan Murphy e Brad Falchuck. A primeira, celebrada pela crítica e galardoada com Emmys, Globos de Ouro e prémios dos Sindicatos, centrou-se no caso judicial de O.J. Simposon e o racismo subjacente a todo o circo mediático criado. Aqui vemos o pano a ser levantado sobre a homofobia latente no final dos anos 90, numa altura em que Versace era ainda uma das poucas figuras públicas homossexuais fora do armário.

A série é protagonizada por Darren Criss, conhecido por Glee e por uma transformação soberba nos palcos com Hedwig and the Angry Inch, no papel de Andrew Cunanan, o homem que assassinou Gianni Versace. O primeiro episódio começa efetivamente com o assassinato do estilista, representado pelo ator Edgar Ramirez, e retrata depois os momentos que desencadearam aquele crime, largamente um deslumbramento fabricado de Cunanan. A integrar o elenco estão também Ricky Martin enquanto o companheiro de Versace, Antonio D’Amico, e Penélope Cruz no papel da irmã do estilista, Donatella Versace. Esta última, juntamente com a restante família, tem-se vindo a insurgir contra a liberdade na apresentação factual do assassinato da série, baseada no livro de investigação jornalística de Maureen Orth.

É novamente de relembrar que tudo isto aconteceu em 1997. A homofobia era o sentimento social vigente e perpetuava ainda os estereótipos danosos da associação exclusiva da SIDA a homens gay. Tamanho estigma que ainda hoje a família de Versace continua a negar que o estilista tivesse infectado com o vírus na altura da sua morte apesar de várias fontes que evidenciam o contrário. É nomeadamente dada como a razão pela motivação do criminoso, o também homossexual e pleno de auto-ódio Andrew Cunanan,  neste e noutros assassinatos que o precederam. Uma demonstração clara do que estigmas ainda perpetuados nos dias de hoje podem significar. Numa altura em que a homofobia e transfobia parecem estar a ganhar novo fôlego – ainda ontem foi reportada uma quase duplicação do número de assassinatos de pessoas LGBT nos Estados Unidos desde a eleição de Donald Trump – e o preconceito e desinformação associados ao VIH, é importante perceber que corremos o sério risco de vermos esta história repetir-se.

O primeiro episódio estreia hoje, às 23h na FOX Life.

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