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A ________idade Tóxica

William Klein/'William Klein ABC'/Abrams

O que é isto de ser Homem? E o que é isto de ser Mulher? Há uns anos disse a uma amiga que gostava muito da presença dela, sentia-a muito viril. Foi a palavra que me surgiu no momento, e rimo-nos os dois por ser tão antiquada. Mais tarde percebi que em “viril” couberam várias ideias que eu via e admirava na minha amiga: determinada, concentrada, com uma noção clara da sua área de conforto social – e de como aproximar ou afastar quem queria. Tudo isto sem ser violenta ou invasiva. Uma pessoa recta e segura. Ela percebeu o elogio: se isto é ser viril, bom, quem não quiser ser assim que lançe a primeira pedra.

Aquilo que é absurdo na masculinidade tóxica é o facto de ela não ter nada de masculino. O uso abusivo de poder, a falta de consideração pelos outros, a manutenção de hierarquias cerradas – nada disto é característica exclusiva de homens. Também há mulheres horríveis. Esta frase parece pateta na sua simplicidade, mas vale a pena parar e pensar que cada ser humano pode, e consegue ser cruel. A mesma mulher que é assediada no trabalho, chega a casa e bate nos filhos; legiões de sogras aterrorizam noras e genros com o poder que têm sobre a família – quem não conheceu já mulheres assim? É muita arrogância pensar que só os homens sabem ser maus e tóxicos, quando tantas mães dizem às filhas o que vestir e como se maquilhar para parecerem mulheres decentes. Ou fazem a cama dos filhos até eles saírem de casa porque os meninos “nunca se habituaram, tal e qual como o pai deles” – se isto não é perpetuar o patriarcado (expressão sublime da tal masculinidade tóxica) eu não sei o que seja.

E por falar nele, Robert Moore e Douglas Gillette desenvolvem o seguinte raciocínio: o patriarcado não é a expressão de uma masculinidade profunda e bem enraizada, mas de uma masculinidade imatura. É um ataque à plenitude, tanto da feminilidade como da masculinidade – ideias que devem ser abordadas de forma criativa e individual, por cada ser humano. “O patriarcado baseia-se no medo das mulheres, mas também no medo dos homens.” Não é isto o que se vê n@s líderes mundiais – um interminável comparar de pilinhas? O problema não são as pilinhas, mas a necessidade de compará-las: o patriarcado é afinal uma triste brincadeira de crianças.

Se existir uma masculinidade tóxica, também existirá uma feminilidade tóxica. Mas mesmo isto parece-me pouco: acima de tudo, creio que há muita imbecilidade tóxica, para dar e vender. E essa, (pérfida democrata…) é p’ro menino e p’ra menina.

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