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Queer Lisboa 22: “Girl” de Lukas Dhont

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Girl, do realizador belga Lukas Dhont, é um retrato assombroso da experiência trans como nunca se viu em cinema. Lara, uma adolescente de 15 anos, muda de cidade com a família para se juntar ao conservatório de bailado mais prestigiado do país. Mas sendo trans o desafio é gargantuano, especialmente quando tem de esconder o seu corpo para poder evoluir no mundo impiedoso da dança enquanto se prepara para começar os tratamentos hormonais e a cirurgia de redesignação sexual.

Lara tem um pai preocupado que a ama e desloca a sua vida por ela, um irmão mais novo amoroso que lhe dá mais uma razão para ser forte, psicólogos e médicos especializados que a auxiliam na transição. Tudo o que pode ser considerado um privilégio para alguém desprivilegiado. E no entanto a sua vida é uma constante de ansiedade e medo e terror. E Dhont, de apenas 27 anos e na sua primeira longa metragem, é exímio na forma crua e inadulterada como mostra o quotidiano de Lara com uma claustrofobia constante sem nunca deixar as emoções se exacerbarem para o campo do melodrama. É a sobriedade de Girl que é o seu maior trunfo, e quando vemos Lara enfrentar os seus demónios interiores, seja num estúdio de dança ou num balneário, é aterrador. A um certo ponto do filme o pai de Lara reconforta-a dizendo que ela é um exemplo para muitas pessoas. Ao que ela responde, desarmada: “Eu não quero ser um exemplo. Só quero ser uma rapariga”.

O outro trunfo é naturalmente Victor Polster, o actor que desempenha Lara com uma intensidade silenciosa inacreditável. Num processo de gender-blind casting, Dhont encontrou a sua estrela em Polster, que não só conseguia desempenhar na perfeição as dolorosas e precisas cenas de dança como tinha a fiscalidade e emotividade necessária para carregar um dos papéis mais exigentes de memória recente. Que a interpretação se vá tornar histórica é inevitável. Lara é uma rapariga que todos e todas temos de conhecer e começar finalmente a perceber a experiência trans de uma vez por todas. Se falamos de leitura obrigatória nos liceus, Girl deveria ser de visionamento obrigatório também.

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