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Queer Lisboa 22: “George Michael: Freedom”

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George Michael foi um dos ícones máximos que nos deixou em 2016, depois de David Bowie e Prince. As estrelas maiores que a vida da música pop, que faziam mover milhões,  começam cada vez mais a ser menos, apesar de agora termos uma das últimas a morar, literalmente, no bairro ao lado. Mas George Michael nunca quis ser Madonna ou Michael Jackson, apesar contra eles lutar diretamente nas tabelas discográficas. Isso fez com que a sua ascensão meteórica nos anos 80 fosse depois substituída por uma incapacidade de manter a sanidade nas luzes ofuscantes da ribalta. E ter de se afastar delas e procurar o seu próprio lugar.

Este documentário foi uma das últimas coisas que George Michael fez, juntamente com o amigo David Austin, e percebe-se de alguma forma que é o legado que o cantor queria deixar depois da sua morte, demasiado prematura e ainda indecifrável. Isso tem tanto de bom como de mau, e torna-se num documentário demasiado polido e perfeito na imagem que apresenta de George Michael, sem grandes arestas e fases problemáticas menos vitoriosas. Contudo, há algo de verdadeiramente inspirador em assistir à cronologia de sucesso de um dos maiores talentos que a nossa cultura pop já viu e como  encarou o seu próprio coming out forçado e, talvez pela primeira vez, com orgulho e não com vergonha.

Mas obviamente que o mais intrigante são os momentos mais vulneráveis e humanos. E o mais comovente relata abertamente a perda do seu primeiro grande amor – o pouco falado brasileiro Anselmo Feleppa – para o flagelo do VIH, juntamente com a sua mãe meses depois, e como isso influenciou o seu mais brilhante álbum, Older. Apesar das suas falhas, que advêm muito de se apresentar como uma versão longa de um documentário claramente feito para televisão tradicional, é sempre incrível assistir ao  inolvidável legado que George Michael nos deixou e ficarmos com a certeza que nunca haverá ninguém como ele a aparecer-nos na vida e a pontuá-la como momentos que nos definem. Eterno.

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