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Por que dois pinguins gays fazem confusão a tanta gente?

Gay Pinguins Homofobia

“Só uma nota… se são dois machos, então não é “casal”, mas sim um par.”
“Imaginem Carlos Costa e José castelo branco a chocar um ovo…”
“Que falta de pachorra. Agora enfiam-nos gays a toda a hora pela goela abaixo! O normal é ser-se homossexual, se assim fosse não haveria vida animal na terra!”
“Lamento, mas nada disto é natural. Como se perpetua cada espécie dessas?”

Opiniões como esta surgem sempre que aparece uma notícia semelhante à dos dois pinguins machos que se apaixonaram e se preparam para ter uma cria em conjunto. Para além do ressurgimento de Diáconos Remédios e de especialistas em gramática com canudo da Farinha Amparo, lendo boa parte dos comentários, parece-me que a homofobia traz ao de cima uma desmesurada preocupação com a perpetuação de uma determinada espécie. Décadas, séculos até, de crimes contra o meio ambiente, espécies totalmente dizimadas para nosso conforto e, afinal, bastava mostrar dois pinguins gays a criar uma cria para que a alma ecologista surgisse em força. Mas fará isto algum sentido sequer?

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Repare-se, a população mundial não está propriamente em crise desde que – *glup* – a homossexualidade começou a ser legalizada e nem sequer o casamento entre pessoas do mesmo sexo teve qualquer efeito contra o aumento da população mundial, porque, sei lá, as pessoas continuam a formar famílias e começam, inclusivé, a ter acesso a técnicas de reprodução medicamente assistida como a PMA.

O exemplo dos pinguins australianos, em que a equipa do aquário percebeu a ligação entre os animais e lhes deu inicialmente um ovo fictício, mas os instintos naturais paternais dos mesmos fizeram com que lhes fosse dado um ovo real, não é sequer inédito. Já corria o ano de 1999, antes da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção e outras cenas maradas, quando um dos tratadores do Aquário de Nova Iorque, descobriu dois pinguins, Roy e Silo, a tentar chocar uma rocha, em vez de um ovo. Para sua surpresa, verificou-se mais tarde que o casal era composto por dois machos. Os tratadores resolveram então fazer-lhes a vontade e entregaram-lhes um ovo abandonado por outro casal. Roy e Silo foram bem sucedidos e a cria, chamada Tango, por sinal cresceu saudável. Parece que para o sucesso de uma família por vezes basta um pouco de boa-vontade e respeito, querem ver?

A adoção de ovos e juvenis é um fenómeno comum nos pinguins que vivem na Natureza, por isso não se trata aqui de um caso circunstâncial pelos animais estarem condicionados a um espaço como um zoo. Acontece livremente na natureza e, como facilmente se percebe, são parte importante na manutenção da espécie, dando assim uma hipótese às crias e ovos que teriam sido abandonados ou perdidos. Isto assim de repente até soa familiar, não é verdade?

Mais, esta espécie de pinguins é meramente uma das 1.500 espécies em que foram observados actos homossexuais entre os animais, sendo que em 500 delas existem dados devidamente documentados. Está longe de ser uma exceção, portanto.

Deixemo-nos pois de falsas preocupações e de tentar disfarçar homofobias nossas com assuntos ecologistas e de sustentação das espécies para agradar o David Attenborough que temos dentro de nós. E, à falta de melhor, ríamo-nos:

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