Miguel Agramonte lança ‘O futuro é só amanhã’: “Temos a necessidade de procurar a nossa identidade”

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Miguel Agramonte regressa esta semana com mais um livro intitulado “O futuro é só amanhã” que irá apresentar já no dia 15, sábado, nos “Maus Hábitos” no Porto e com a presença de João Paulo, prefaciador da obra, e Sara Morgado, da rede ex aequo. O livro conta a história de Pedro e a busca pela sua identidade, a sua verdade.

Estivemos à conversa com o autor para descobrirmos melhor de que trata o seu primeiro romance, vale a pena ler:

“O Futuro é só amanhã” decorre no Norte de Portugal e transporta o Pedro para “início dos anos 2000”, esta é uma viagem no tempo também para o Miguel?

“O Futuro é só amanhã” é também, curiosamente, uma viagem no tempo. Mas, tal facto não aconteceu de propósito, sendo uma consequência da linha de tempo com que os meus livros foram editados. Esta obra foi a primeira que escrevi num formato “livro”. Circunstâncias várias levaram a que os livros que foram escritos a seguir a ela (“Quando tu nos mentes“, publicado em 2016 e “Amar de olhos fechados“, publicado em 2017) viessem a ser publicados pela ordem cronológica com que foram escritos, mas antes deste que, agora, será lançado.

Portanto, quando em meados deste ano a Chiado Books me transmite a intenção de editar “O Futuro é só amanhã”, fui obrigado a rever o mesmo e foi uma experiência muito interessante verificar que ele é, também, uma espécie de viagem no tempo. Não nos apercebemos, talvez por estarmos embrenhados no dia-a-dia, mas muitas coisas mudaram consideravelmente. Como o livro começou a ser escrito nos inícios dos anos 2000, e foi sendo desenvolvido ao longo dos oito anos seguintes (sempre que fui tendo disponibilidade), é muito curioso ver como as coisas eram e funcionavam naquele tempo (social e tecnologicamente, por exemplo).

No entanto, se há coisas que evoluíram consideravelmente, com outras assim não aconteceu. Apesar de acreditar que estamos melhores, questões como a aceitação própria, na generalidade nacional, ou a erradicação da homofobia, por muito utópico que possa parecer, apesar de achar que não nos devemos contentar com menos, andaram muito mais devagar.

 

Após vários livros publicados, este foi na realidade o primeiro romance que escreveu, que impacto tem este lançamento? O que mudou?

Este foi o primeiro romance ou, como comentava no outro dia um amigo, o único romance, até agora, porque ele considera os meus outros livros novelas. Classificações de géneros literários à parte, acho que cada um deles tem a sua força e personalidade. Todos eles são livros muito diferentes entre si, como os leitores têm podido verificar e testemunhar, em relação aos dois primeiros. Acredito que o mesmo se passará com este. No entanto, “O Futuro é só amanhã” permite, pela sua dimensão, desenvolvimentos mais aprofundados das personagens e da relação entre as mesmas, dos espaços em que os vários episódios decorrem, da passagem do tempo e amadurecimento das próprias personagens, apenas para citar alguns exemplos. Uma coisa é Pedro, a personagem principal, com 15 anos, outra é ele com 20, por exemplo. A personagem é a mesma, mas o ser, já não. Muda muita coisa, a estrutura mental, as reações, até mesmo os diálogos. A dimensão de um romance permite explorar tudo isso com um rigor e prazer muito maiores. A tal profundidade a que me referia.

Para quantificar o exemplo, cada um dos meus dois livros já editados rondam as 130 páginas, este tem pouco mais de 660. Finalmente, há um outro exercício curioso de se fazer. Ao lerem-se os livros pela ordem cronológica com que foram escritos, o “Quando tu nos mentes” talvez seja entendido de uma forma diferente. É que ele vem “romper” com o mundo do “O Futuro é só amanhã”. Ou, por outras palavras, uma coisa é o “Quando tu nos mentes” como primeiro livro e, outra, é como segundo, na sequência d’”O Futuro é só amanhã”. Sabes aquele digestivo curto mas “destruidor”, que tomamos por cima de uma grande refeição, mas que nos facilita a digestão e nos faz sentir bem?

O Futuro é só amanhã - Capa livro autor miguel agramonte portugal LGBT LGBTI

Existe neste novo romance uma nova busca pela identidade e pela verdade que temos dentro de nós. Esta é uma viagem que cada vez mais nos sentimos impulsionados a fazer, como foi no caso do Pedro?

Acredito que todos nós temos, em maior ou menor grau, a necessidade de fazer essa busca pela identidade e pela verdade, como lhe chamas. Talvez outras pessoas a classifiquem de outra forma. No entanto, há pessoas que, por vários motivos, a levam a cabo e outras que, também por diversos motivos, nem a começam. Outras, ainda, deixam-na a meio. Existe de tudo, para todos os gostos, com todo o tipo de consequências e o tema daria pano para mangas.

Pelas circunstâncias que quem ler o livro conhecerá, Pedro levou a cabo essa busca ou diáspora, como é referido na sinopse. Ele nasceu e foi criado no interior norte de Portugal e, a data altura, por circunstâncias várias, começou, não só a sentir a sua terra demasiado pequena, como a descobrir que, para lá das fronteiras da mesma, haviaa um mundo totalmente diferente, desconhecido, admirável. Tendo optado pela tal busca, ele empreende uma série de viagens que o fazem crescer, ao longo das quais, naturalmente, acontece a mais importante de todas, a sua viagem interior. Não quero abrir muito mais a história, para não estragar a mesma, mas espero ter conseguido dar uma resposta decente à questão feita.

 

Quais os planos de lançamento d’”O Futuro é só amanhã”? Onde podem as pessoas encontrar o autor e obra?

O lançamento será no próximo dia 15 de dezembro, no Maus Hábitos, no Porto, às 17h00. Desta vez, optou-se pelo Porto porque, por um lado, grande parte da história é passada nesta cidade e, por outro, os lançamentos anteriores aconteceram em Lisboa. A acompanharem-me estarão o João Paulo, fundador do PortugalGay.pt e também prefaciador da obra, que fará a apresentação da mesma, e a Sara Morgado, da rede ex aequo, como oradora, que fará a ponte entre o Pedro que vive n’”O Futuro é só amanhã” e os muitos Pedros que vivem em tantas terras por este Portugal fora, com quem ela contacta regularmente.

Eu, como é expectável, falarei um pouco da história e das motivações que me levaram à escrita da mesma. Acho que vai ser uma sessão muito interessante, até porque a interação com o público costuma ser fantástica. Decorrerá num ambiente informal, num espaço que vale a pena conhecer, e aproveito para convidar todos e todas que nos leem a estarem presentes.

Quanto a como encontrar a obra, esta poderá ser encontrada nas livrarias do comércio tradicional ou dos grandes grupos comerciais de distribuição (Fnac, Sonae, ECI, Bertrand, CTT, Auchan, entre outros). Em caso de não disponibilidade momentânea, será sempre possível encomendá-la através de um qualquer balcão desses espaços. Também estará disponível no website da Chiado Books, permitindo, assim, que leitores de qualquer parte do mundo a possam adquirir. Quanto a encontrar o autor, a forma mais fácil e rápida é no evento de lançamento, que já referi.

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