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Youtube admite que discurso homofóbico não viola as suas regras

Não deixa de ser irónico no dia em que a Google.org se associa aos 50 anos de Orgulho e lança monumento vivo seja igualmente anunciado que discurso homofóbico não viola as políticas de utilização do Youtube, empresa subsidiária do gigante tecnológico norte-americano. Afinal em que ficamos?

Esta não é uma história nova, há vários anos que a comunidade de youtubers LGBTI se tem queixado dos duplos padrões da plataforma de vídeos no que toca ao discurso de ódio e a desinformação contra a população LGBTI. Falamos pois de linguagem homofóbica e transfóbica partilhada e difundida pelos algoritmos do Youtube quando, por exemplo, vários canais de pessoas LGBTI são impedidos de serem igualmente promovidos pela plataforma por serem considerados de conteúdo +18 anos quando, na realidade, a maioria trata e explora questões LGBTI de forma informada e na primeira pessoa, da comunidade para a comunidade.

Mas em que difere então esta notícia das denúncias anteriormente feitas? Desta vez e por fim, o Youtube respondeu formalmente a uma disputa explosiva e controversa entre o autor Carlos Maza e Steven Crowder. O veredicto: o YouTube diz que Crowder não violou nenhuma de suas políticas e que o canal do Crowder no YouTube vai continuar, apesar dos seus repetidos insultos homofóbicos direcionados a Maza em vídeos publicados na sua plataforma. Crowder, ao longo dos anos e de forma continuada, tem feito comentários depreciativos sobre a orientação sexual e a etnia de Maza no seu canal.

Crowder, que entre ter chamado à epidemia do VIH/SIDA um embuste, comparou também os seus comentários contra Maza a meras piadas, chamando-as de “inofensivas” num vídeo de resposta no início desta semana. Crowder também veste uma t-shirt – que vende no seu site – com uma imagem que apresenta uma ofensa homofóbica: F*G (as in “FAG”).

Depois de dias de silêncio, o YouTube agora diz que não acredita que os insultos racistas e homofóbicos de Crowder contra Maza – onde se incluíram termos como “lispy queer” (algo como ‘queer beiçudo”) e “gay mexicano” -, se qualifiquem como assédio. Notavelmente, a empresa não mencionou nunca a expressão “discurso de ódio”, indiciando que não classifica a o discurso homofóbico de Crowder como tal.

As nossas equipas passaram os últimos dias a analisar detalhadamente os vídeos sinalizados e, embora tenhamos encontrado uma linguagem claramente danosa, os vídeos postados não violam nossas políticas“, anunciou num tweet publicado na conta oficial do @TeamYouTube no Twitter e publicada como uma resposta ao tweet original de Maza onde deu destaque ao abuso de Crowder.

Como uma plataforma aberta, é crucial permitirmos que todas as pessoas – desde criadoras de conteúdo a apresentadoras de televisão – expressem as suas opiniões de acordo com as nossas políticas”, escreveu a conta da equipa do Youtube, acrescentando que “opiniões podem ser profundamente ofensivas, mas se elas não violarem as nossas políticas, elas permanecerão em nosso site.

Não deixa de ser igualmente notável que esta declaração, por um lado, admita que o discurso de Crowder é efetivamente danoso quando, por outro lado, esta é precisamente uma das políticas de utilização que impediria a utilização da plataforma por conteúdo inaceitável que seria pois removido: o discurso danoso, ou, por outras palavras, de ódio. Durante a última semana, Maza disse ter sofrido extremo assédio por denunciar o discurso de ódio de Crowder, com centenas de mensagens ofensivas e, inclusive, ameaças de morte enviadas diariamente.

Após a divulgação desta história, o YouTube negou fornecer comentários adicionais além do tópico do Twitter. Melissa Bell, da Vox Media Publisher, onde trabalha Maza, disse que “recusando-se a tomar uma posição sobre o discurso de ódio, o [YouTube] permite que o pior das suas comunidades se esconda atrás de uma alegada ‘liberdade de expressão’ e ‘fake news’, fomentando assim o discurso ofensivo e odioso contra um número crescente de pessoas.

Este tipo de políticas, escudadas por uma alegada liberdade de expressão, servem apenas para legitimar e dar força a quem pretende difundir puro discurso de ódio contra minorias, sejam estas de identidades LGBTI ou étnico-raciais, como no caso de Maza. Esta é pois uma decisão que tem consequências diretas na vidas destas pessoas e daquelas que, por arrasto de identificação, são ofendidas, minoradas, escorraçadas diariamente por indivíduos como Crowder. O Youtube, ao dar-lhe plataforma, mais do que promover este tipo de discurso, está a normalizá-lo ao difundi-lo por milhões de pessoas em todo o mundo. Pergunto para finalizar, quem na realidade paga o preço dos anúncios milionários nos canais como o de Crowder? Quanto vale a destruição da identidade de uma pessoa? Quantos cifrões justificam o ódio? [Skip Hate >]

Atualização 1:

Na mesma hora que era publicado este artigo, o Youtube confirmava que iria retirar a monetização do mesmo dado que nele foram tomadas “ações relevantes que prejudicaram uma abrangente comunidade.” Como disse o André aqui ao lado, “pode continuar a insultar, já só não lhe pagam para isso.” Para já fiquemos com o copo meio cheio.

Atualização 2:

A equipa do Youtube explicou que voltará a monetizar o canal de Crowder se este retirar o link para a loja que vende o material homofóbico, ou seja, o problema é o link para a loja (com conteúdo ofensivo), mas não o discurso ofensivo do canal, é isto? Uma trapalhada monumental do Youtube não deixa desde já de ser.

Fonte: The Verge e Boing Boing.


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