Greve Feminista Internacional de Lisboa: “Juntas somos mais fortes!”

Neste 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, estivemos na Greve Feminista Internacional em Lisboa. Com o lema “E se as mulheres pararem?”, o palco foi delas. Cliquem nas imagens para as ver na resolução completa e abaixo o Manifesto da Rede 8 de Março! 💪

A Greve Feminista esteve em destaque no Podcast Dar Voz A esQrever, oiçam:

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MANIFESTO DA REDE 8 DE MARÇO!
Juntas somos mais fortes!

A cada 8 de Março celebramos a união entre as mulheres e mobilizamo-nos em defesa dos nossos direitos.

Somos herdeiras das lutas feministas e das resistências operárias, anticoloniais e antirracistas. Reclamamos o património das lutas pelo direito ao voto, ao trabalho com salário, a uma sexualidade livre e responsável, à maternidade como escolha, à habitação, à educação e saúde públicas.

Por todo o planeta, somos as mais traficadas e as mais sacrificadas pela pobreza. Somos do país onde existem 6576 mulheres e raparigas vítimas de mutilação genital. Somos as sobreviventes da violência de género, que em Portugal mata, em média, duas de nós a cada mês, 80% das vítimas de violência doméstica e 90.7% das de crimes sexuais. Somos as vítimas da justiça machista, quando esta fundamenta as suas decisões em preconceitos, e da cultura da violação, que desacredita a nossa palavra e desvaloriza a nossa experiência, procurando atribuir-nos a responsabilidade das violências que sofremos. Somos as que vivem em alerta permanente, porque o assédio no espaço público e no local de trabalho continua a estar presente.

Somos múltiplas e diversas, de todas as cores e lugares, de todas as formas e feitios, com diferentes orientações sexuais e identidades de género, profissões e ocupações. Somos trabalhadoras, estudantes, reformadas, desempregadas e precárias, do litoral e do interior, do continente e das ilhas. Somos as invisíveis, as negras e as ciganas. Somos tu e eu, somos nós, somos tantas e tão diversas.

A 8 de Março, mulheres em todo o mundo levantam-se em defesa dos seus direitos e mobilizam-se contra a violência, a desigualdade e os preconceitos. Porque as violências que sofremos são múltiplas, a Greve que convocamos também o é.

No dia 8 de Março faremos greve ao trabalho assalariado, ao trabalho doméstico e à prestação de cuidados, ao consumo de bens e serviços.

Basta de desigualdade no trabalho assalariado!

É a nós que nos é exigida a conciliação entre a atividade profissional e a vida familiar, razão que explica que sejamos as que mais trabalhamos a tempo parcial, o que originará reformas e pensões mais baixas no futuro, reproduzindo o ciclo de pobreza. Somos mais de metade das pessoas que ganham o salário mínimo, o que compromete a nossa autonomia financeira. As profissões em que somos a maioria da força de trabalho são muitas vezes social e salarialmente desvalorizadas. Nelas, as mulheres negras e imigrantes são as trabalhadoras mais exploradas e precarizadas. A diferença salarial é, em média, de 15.8%, ou seja, para trabalho igual ou equivalente, os nossos salários são inferiores, o que faz com que trabalhemos 58 dias por ano sem receber.

Os cargos mais bem pagos são ocupados por homens, embora sejam as mulheres as que mais concluem o ensino superior (60.9%). A desigualdade salarial com base no género está presente em todo o lado, nas empresas e instituições privadas e públicas.

Exigimos salário igual para trabalho igual ou equivalente e a reposição da contratação coletiva como forma de proteger o trabalho e combater as desigualdades. Temos direito a um projeto de vida digno e autónomo: não somos nós quem tem de se adaptar ao mercado de trabalho, é ele que tem de se adaptar a nós. A gravidez ou os cuidados com descendentes e ascendentes não podem ser o argumento escondido para o despedimento ou a discriminação.

Basta de desigualdade no trabalho doméstico e dos cuidados!

Para além do trabalho assalariado, muitas mulheres, sem que a maior parte das vezes isso resulte de uma escolha, têm de desempenhar diversas tarefas domésticas e de prestação de cuidados e assistência à família. Este trabalho gratuito, desvalorizado e invisibilizado ocupa-nos, em média, 1 hora e 45 minutos por dia, o que corresponde, durante um ano, a 3 meses de trabalho. Apesar de não haver uma recolha de dados étnico-raciais, os dados a que temos acesso mostram que sectores como as limpezas e o trabalho doméstico são quase um destino obrigatório para as mulheres negras, ciganas e imigrantes. Levantamo-nos na luta contra o racismo! Sabendo que as mulheres negras e imigrantes permanecem a força de trabalho mais barata, altamente explorada e violentada, ocupando as profissões mais precárias e trabalhos pouco ou não-qualificados.

Reclamamos o reconhecimento do valor social do trabalho doméstico e dos cuidados e a partilha da responsabilidade na sua prestação. Propomos que este tipo de trabalho seja considerado no cálculo das reformas e pensões e defendemos o reconhecimento do estatuto de cuidador/a. Defendemos a redução do horário de trabalho e igualdade nos tempos de descanso e de lazer. Queremos respostas públicas de socialização de tarefas domésticas e de cuidados, das creches às residências assistidas e de cuidados continuados, das cantinas às lavandarias.

Basta de reprodução das desigualdades e do preconceito nas escolas!

Os currículos pelos quais estudamos continuam a contar a história dos vencedores, reproduzindo vieses de género, classe e raça. A praxe académica, onde o poder é exercido por meio da humilhação, reproduz violência machista, lesbitransfóbica e racista, estereótipos e preconceitos de género e objetificação dos nossos corpos.

Defendemos o direito a conhecer a nossa história e a das resistências ao machismo e ao colonialismo, as alternativas económicas, culturais e ambientais. Exigimos o direito a uma educação pública e gratuita em todos os seus níveis. Reivindicamos uma escola da diversidade, crítica, sem lugar para preconceitos e invisibilizações, uma escola livre de agressões machistas e lesbitransfóbicas, dentro e fora das salas de aula, uma escola empenhada na educação sexual inclusiva como resposta ao conservadorismo.
Basta de estereótipos e de incentivos ao consumo!

Identificamos nos media, nas redes sociais, na publicidade e na moda a difusão da cultura machista. Rejeitamos a sociedade de consumo, que nos condiciona a liberdade e nos transforma em consumidoras. Não somos mercadoria e, por isso, recusamos a exploração dos nossos corpos e das nossas identidades, os estereótipos que ditam medidas-padrão, ideais de beleza formatados, gostos, comportamentos e promovem estigmas e discriminações. Porque exigimos ser protagonistas das nossas vidas e donas dos nossos corpos, recusamos o negócio em torno da nossa sexualidade e saúde reprodutiva e reclamamos a gratuitidade dos produtos de higiene.

Basta de destruição ambiental!

Recusamos as políticas neoliberais, porque elas são predatórias, destroem a biodiversidade, provocam alterações climáticas e originam milhões de migrantes ambientais, o que dificulta de forma muito particular a vida e a sobrevivência de mulheres, que, em muitas zonas do planeta, são quem se dedica à agricultura e tem a responsabilidade de prover a família de alimentos. Estamos solidárias com as mulheres indígenas que resistem à globalização e estão comprometidas com as lutas contra as alterações climáticas, contra a dependência de energias fósseis e em defesa da soberania alimentar.

Basta de guerra e de perseguição às pessoas migrantes!

Rejeitamos as guerras e a produção de armamento. Para saquear matérias-primas e garantir controlo geopolítico e económico, destroem-se culturas, dizimam-se povos e expulsam-se populações dos seus territórios. As guerras originam milhões de pessoas refugiadas, entre as quais muitas mulheres e crianças, vítimas de redes de tráfico humano e sexual, da pobreza e da destruição. Levantamo-nos pelo fim das guerras, pelo acolhimento das pessoas migrantes e em defesa da alteração da lei da nacionalidade. No mundo ninguém é ilegal! Quem nasce em Portugal é português/portuguesa!

Todas estamos convocadas para a Greve Feminista. Todas temos mil e uma razões para protestar, parar, reivindicar. Fazemos Greve porque não nos resignamos perante a desigualdade, a violência machista e o conservadorismo. Fazemos Greve para mostrarmos que as mulheres são a base de sustentação das sociedades. “

Junta-te à manifestação!

LISBOA – 15h – largo de Camões

PORTO – 15h – praça dos Poveiros

COIMBRA – 16h – praça da República

FARO – 17h – jardim Manuel Bívar

ÉVORA – 15h – praça do Giraldo

VILA REAL – 15h – largo do Pelourinho

VISEU – 16h – jardim Tomás Ribeiro

PONTA DELGADA – 16h – portas do Mar

BRAGA – 15h – avenida Central

A Coletiva | AFL – Assembleia Feminista de Lisboa | Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis | Bloco de Esquerda | Climaximo | Coletivo Andorinha | Esquerda Revolucionária | Greve Climática Estudantil | MAS – Movimento Alternativa Socialista | Sindicato de Estudantes | STCC – Sindicato dos Trabalhadores de Call Center

Quem subscreve

AMPLOS | ANIMAR – Associação Portuguesa de Desenvolvimento Local | APA – Associação Portuguesa de Antropologia | Associação Desassociada | Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto | Brigada Estudantil | Catarse – Movimento Social | CIDAC – Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral | CIVITAS – Associação de Defesa e Promoção dos Direitos dos Cidadãos | Civitas Braga | Colectivo Resistimos | Coletivo Lagoa | Com Calma – Espaço Cultural | CooLabora | Damas Lisboa | FEM – Feministas em Movimento | Frente Unitária Antifascista | Habita! | INMUNE – Instituto da Mulher Negra PT| Livre | MAIS – Movimento de Cidadania Independente | Mulheres Socialistas da Federação da Área Urbana de Lisboa | NARP – Núcleo Anti-Racista do Porto | Núcleo AntIfascista de Lisboa | Núcleo do PT Lisboa | O Porto Não se Vende | Panteras Rosa – Frente de Combate à LesBiGayTransfobia | Plataforma de Solidariedade com os Povos do Curdistão | Plataforma Já Marchavas | Por todas Nós – Movimento feminista | PTRevolutionTV | Queer Tropical | Rede ex aequo | S.TO.P. – Sindicato de Todos os Professores | SIEAP -Sindicato das Indústrias, Energia e Águas de Portugal | Sirigaita | SOS Racismo | STOP Despejos | STSSSS – Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social | TransMissão | UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta | VOE Veganismo | WikiEditorasLx | Zona Franca dos Anjos


A processar… ⏱
Sucesso! 🌈

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