EUA: Amazon e McDonald’s entre empresas que comemoram o Pride depois de doarem para políticas contra a Lei de Igualdade

Em fevereiro, a grande maioria das pessoas republicanas na Câmara dos Representantes votou contra a Lei de Igualdade, que visa expandir as proteções LGBTI. Registos mostram que algumas das empresas mais conhecidas dos Estados Unidos da América, incluindo a McDonald’s, Walmart e Amazon, doaram quantias significativas para movimentos políticos que votaram contra o projeto de lei.

As empresas doam para campanhas de agentes políticos na esperança de influenciar positivamente a legislação que possa impactar os seus negócios, desde a imigração aos salários mínimos.

Como resultado, estes gigantes da indústria doaram centenas de milhares de dólares para agentes políticos que estão a pressionar por legislação que proteja os direitos das pessoas LGBTI, e centenas de milhares de dólares para agentes políticos que trabalham ativamente para derrotar essas mesmas lutas.

As empresas estão cada vez mais presas entre o desejo de buscar alianças políticas bipartidárias por meio de doações e expectativas que apoiem causas sociais progressistas. Agora, algumas delas estão a ser forçadas a mudar as suas estratégias.

De 2019 a 2020, a Walmart doou 1,2 milhões de dólares a candidaturas federais. As doações foram exatamente uma divisão uniforme — $596.000 para o lado republicano e $596.000 para o democrata. Todas, exceto três pessoas republicanas na Câmara dos Representantes, votaram contra a Lei de Igualdade, dizendo que poderia infringir a liberdade religiosa. Isso significa que a Walmart doou quase $400.000 a agentes políticos que se opuseram ao projeto de lei.

Enquanto isso, o avatar do Twitter da empresa está atualmente em tons de arco-íris, e o império do retalho está a vender uma coleção do Orgulho LGBTI.

A Amazon apoia a Lei de Igualdade desde 2015, com Brian Huseman, vice-presidente de políticas públicas da Amazon, aa escrever numa publicação em fevereiro que “agora é a hora da lei federal proteger todas as pessoas norte-americanas LGBTI+“.

Ao mesmo tempo, a empresa também dividiu as doações de 2019 a 2020, ao doar $659.000 para candidaturas democratas e $648.500 para republicanas. Mais de $460.000 dessas doações foram para agentes políticos que votaram contra a Lei de Igualdade.

Um porta-voz da Amazon explicou que a empresa “envolve-se numa ampla gama de questões que afetam os nossos negócios, clientes e pessoas funcionárias“, mas explicita que “isso não significa que concordamos com qualquer organização individual ou política 100% das vezes, e isso inclui legislação que discrimina ou incentiva a discriminação contra a comunidade LGBTI“.

De 2019 a 2020, a McDonald’s doou um total de $213.000 aos agentes legisladores que votaram contra o referido projeto de lei. Em pleno Mês do Orgulho LGBTI, a empresa escreveu no Twitter: “Temos orgulho de ti. E tu também deverias ter orgulho de ti.“

Em 2021, as marcas estão a apoiar abertamente pessoas LGBTI e a celebrar o Orgulho nas suas redes sociais mais que nunca. Simultaneamente, os EUA estão a assistir a uma explosão de contas transfóbicas. Quem legisla não está simplesmente a votar contra a cimentação das proteções das pessoas LGBTI, está sim a tentar aprovar novas leis que ativistas dizem que prejudicarão pessoas especialmente vulneráveis.

“São forças transfóbicas organizadas, pessoas que são ideologicamente contra as pessoas trans, que estão a tentar puxar a sua agenda em todos os lugares que podem“, explicou Rodrigo Heng-Lehtinen. “O seu movimento é coordenado, é deliberado, e é tudo sobre usar pessoas trans e especialmente jovens trans como jogo político.“

Pessoas envolvidas nestes negócios esperam cada vez mais que as empresas defendam valores sociais progressistas, incluindo o apoio vocal a pessoas LGBTI. As empresas, por seu lado, não querem realmente desistir da influência em ambos os lados do jogo político. No entanto, as empresas estão a ser forçadas a mudar as suas práticas. A Walmart e a Amazon, por exemplo, pausaram as doações a pessoas legisladoras que se opuseram a certificar a vitória do presidente Joe Biden em janeiro passado, após a invasão do Capitólio. A McDonald’s parou todas as suas doações políticas desde janeiro.

Em 2021, é cada vez mais difícil para as empresas dizerem que apoiam uma causa, enquanto doam para agentes políticos que votam em leis no sentido oposto. Marcia Chatelain, professora da Universidade de Georgetown, disse que, após os protestos de George Floyd, as marcas como a McDonald’s assumiram que o apoio através de tweets satisfaria a maioria das pessoas.

“O que provavelmente não anteciparam foi que estamos a viver um momento em que as pessoas pedem mais“, disse. “Elas pedem mais do que doações. Elas pedem mais do que programas de promoção de diversidade. Elas pedem mais do que marketing. Elas realmente pedem justiça racial e económica.”


Ep. 260 – ESPECIAL Autodeterminação de género: comunidade, famílias e especialistas no Parlamento – Dar Voz a esQrever: Notícias, Cultura e Opinião LGBT 🎙🏳️‍🌈

Nos dias 22, 25 e 26 de setembro, a Assembleia da República ouviu associações, famílias, pessoas trans e especialistas no âmbito da discussão, na especialidade, de três projetos de lei sobre autodeterminação de género apresentados por Chega, PSD e CDS-PP que pretendem reverter a lei de 2018.Neste episódio especial do Podcast Dar Voz a esQrever, reunimos algumas dessas intervenções.O foco está nas vozes da comunidade, de quem trabalha diariamente no terreno, de mães e pais de jovens trans e de especialistas das áreas da sociologia, psicologia, psiquiatria, pedopsiquiatria e endocrinologia.Optámos por não incluir intervenções que reproduzam discursos LGBTIfóbicos ou coloquem em causa a dignidade e os direitos das pessoas trans. O objetivo deste episódio é dar espaço a quem vive estas realidades, acompanha pessoas e famílias ou trabalha e investiga nestas áreas. As sessões completas estão disponíveis no site do Canal Parlamento.Artigos mencionados no episódio:Lei Histórica de Autodeterminação de Género Aprovada no Parlamento PortuguêsReino Unido: suicídios entre jovens trans aumentaram durante restrições aos cuidados de saúdeRelatório Cass: Entre a evidência científica e a instrumentalização da saúde de jovens TransPSD, Chega e CDS aprovam retrocesso na autodeterminação de género: Lei atual mantém-se por agora, mas futuro é incertoAlterações de nome e género aumentam em Portugal num ano marcado pela ameaça à lei da autodeterminaçãoAté onde nos trouxe o movimento de conquista de direitos para pessoas trans?Ordem dos Médicos critica projetos da direita sobre identidade de género: “não refletem o conhecimento médico atual”ONU pede retirada de projetos do PSD, Chega e CDS que alteram lei da autodeterminação de géneroMais de 60 entidades subscrevem comunicado que denuncia retrocesso nos direitos trans e intersexo: “A nossa autonomia não é debatível”Nenhum direito vive sozinho: porque a luta LGBTQIA+ precisa de ser interseccionalCAPÍTULOSComunidade e associações00:04:18 — Jo Matos, rede ex aequo00:06:29 — Tiago Sampaio, rede ex aequo00:10:29 — António Vale, AMPLOS00:12:55 — Patrícia Almeida, AMPLOS00:17:39 — Rita Paulos, Casa Qui00:22:49 — Beatriz Flores, ILGA Portugal00:26:57 — Daniela Bento, ILGA Portugal00:30:12 — Jo Rodrigues, Anémona00:36:40 — Helder Bértolo, Opus DiversidadesEspecialistas — intervenções iniciais00:43:35 — Sandra Saleiro, socióloga e professora universitária00:52:50 — Carla Moleiro, psicóloga clínica e professora universitária01:00:13 — Zélia Figueiredo, médica psiquiatra01:07:32 — Rui Ferreira Carvalho, médico especialista em pedopsiquiatria01:15:00 — Miguel Saraiva, médico endocrinologistaEspecialistas — respostas às questões colocadas01:22:12 — Sandra Saleiro01:30:03 — Carla Moleiro01:37:38 — Zélia Figueiredo01:43:28 — Rui Ferreira Carvalho01:49:01 — Miguel Saraiva#LGBTQ #DireitosLGBTQ #DireitosTrans #Intersexo #Autodeterminação #Portugal
  1. Ep. 260 – ESPECIAL Autodeterminação de género: comunidade, famílias e especialistas no Parlamento
  2. Ep. 259 – ESPECIAL: A luta pela autodeterminação de género e contra as práticas de conversão em Portugal
  3. Ep. 258 – UE protege mulheres trans, Chicão muda de opinião & Women Talking + Young Hearts

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