Sophie Ellis-Bextor revelou ter sido violada aos 17 anos por um músico: “Não fui ouvida”

Sophie Ellis-Bextor, uma das divas da pop que se tornou conhecida com “Groovejet (If This Ain’t Love)” e tem mantido uma reconhecida carreira a solo, confessou ter sido violada aos 17 anos por um músico.

No seu livro de memórias, Spinning Plates, a cantora e compositora diz que foi violentada no apartamento de um guitarrista de 29 anos. “Ouvi-me dizer ‘Não’ e ‘Não quero’“, escreveu, “mas não fez diferença alguma“.
Ele fez sexo comigo e eu senti-me tão envergonhada! Foi assim que perdi minha virgindade e senti-me estúpida.

Senti-me suja, mas também insegura sobre os meus próprios sentimentos, pois não tinha outra experiência com a qual comparar.

No livro, Ellis-Bextor descreve como ela conheceu o músico – que ela chama apenas de Jim – num concerto enquanto ela era estudante. Ele convidou-a para voltar ao seu apartamento para ver os seus livros de história “e antes que eu percebesse estávamos na sua cama e ele tirou a minha roupa interior“.

A cantora, que agora tem 42 anos, diz que ficou confusa após o acto, já que a percepção do público sobre a violação na década de 1990 “não se focava no consentimento“, mas sim com “algo que você associava com agressão“. Mas, continuou, “ninguém me prendeu ou gritou para lhe obedecer” e “as coisas que vi e li e a forma como o sexo era discutido [na época] fizeram-me acreditar que não tinha um caso.

De acordo com a Rape Crisis England and Wales, essa percepção ainda persiste – com muitas vítimas a acreditar que não têm um caso legal se não houver sinais físicos de luta ou agressão. A instituição diz que “há muitas razões pelas quais alguém pode não gritar ou lutar“. Na verdade, “a quietude e o silêncio podem sugerir uma falta daqueles elementos cruciais de liberdade e capacidade“. Equívocos como esses podem dificultar a procura de ajuda por pessoas sobreviventes, pois muitas temem que não acreditem nelas. Menos de uma em cada seis vítimas relata a violação e mesmo quando o faz, “raramente é feita justiça”,

Ellis-Bextor diz que decidiu compartilhar a sua própria experiência para ajudar as pessoas a entender “onde está a linha entre o certo e o errado“.

A minha experiência não foi violenta“, escreveu nas suas memórias. “Tudo o que aconteceu foi que eu não fui ouvida. Das duas pessoas presentes, uma disse sim, a outra disse não e a primeira fê-lo mesmo assim.”
E desabafou que “quanto mais velha eu fico, mais severo parece aquele homem de 29 anos que me ignorou aos 17 anos.”

Como mãe de cinco crianças, Ellis-Bextor diz que teve o cuidado de apresentá-las ao conceito de consentimento: “Quero criar pessoas atenciosas e gentis que podem levar os sentimentos de outras pessoas em consideração”.

Em Portugal, a 15 de outubro vai ser discutido, a pedido da deputada não inscrita Cristina Rodrigues, o aumento do prazo de prescrição nos crimes sexuais contra crianças, para que a queixa possa ser apresentada até aos 50 anos.

*** Nota: Devido à integração de Cristina Rodrigues nos quadros do Partido CHEGA, rasurámos, em protesto e tomada de posição contra a instrumentalização da mesma, a parte do texto referente à antiga deputada.


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