LGBTI Viseu lançou resultados de Inquérito: um terço sofreu discriminação

A LGBTI Viseu divulgou os resultados do inquérito que realizou e analisou a discriminação em função da Orientação Sexual, Identidade de Género e Características Sexuais na população LGBTI+ em Viseu no ano de 2020.

Apesar do ano de 2020 ter sido um ano atípico tendo em conta a realidade pandémica que Portugal e o mundo enfrentam, segundo a associação, “os resultados não se viram muito díspares dos do ano anterior“. Em 108 pessoas inquiridas, 36 relataram ter sofrido discriminação LGBTIfóbica, sendo o género masculino aquele que mais reportou ser vítima de discriminação (50%), sendo igualmente de destacar que quatro pessoas disseram pertencer ao género não-binário e duas como pertencentes a outro género que não os contemplados.

A associação também detectou que “metade das pessoas que sofreram discriminação carecem de
informação necessária para denunciar estes casos
“, resultando “em apenas duas denúncias dos 36 casos relatados“. É assim importante um maior apoio por parte dos órgãos policiais e judiciais para a resolução destes casos, considera a LGBTI Viseu.

Quanto à presença de testemunhas, 75% das pessoas disseram tê-las, no entanto, menos de metade tiveram intervenção por parte de quem estava a observar a situação. Importa reter que estes atos discriminatórios não são únicos e isolados, tendo a associação conseguido averiguar que “a maioria dos casos aconteceu três a cinco vezes ou seis a dez vezes, por ano“. Estes resultados espelham um aumento significativo em relação a 2019, em que a maioria dos casos aconteceu uma a duas vezes, reportou a associação.

Também espelho da realidade pandémica que vivemos desde o início de 2020, a LGBTI Viseu detetou “um aumento da discriminação proveniente de familiares e dentro de casa“, em que as pessoas viram-se obrigadas a permanecer em casa e com a família, não sendo estes sempre os locais e as pessoas mais seguras para as mesmas.

Outro local onde decorreu a maior parte da discriminação é na escola, por parte de colegas, tendo o inquérito relevado que houve igualmente relatos de discriminação por parte de docentes, o que leva a associação a insistir na importância da formação de profissionais na área da educação e da sensibilização da população escolar e em geral para as questões LGBTI+, para além da necessidade de criação de espaços seguros onde as pessoas se possam dirigir e relacionar-se com os pares sem qualquer medo de discriminação e/ou retaliação.

Outro dado relevante é o facto de 18 pessoas – metade das pessoas que assumiu ter sido vítima de actos discriminatórios – terem respondido que isto as “Afectou/Afectou muito”. No que toca à saúde mental, importa pois haver apoio especializado e devido para responder às pessoas LGBTI+.

Os resultados e a análise ao inquérito pode ser lido na íntegra aqui.


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2 comentários

  1. O Isolamento Social mostrou como o convívio familiar e/ou conjugal consegue, muitas vezes, ser mais doentio que o convívio no ambiente de trabalho! Em Home Office, então ficou evidenciado, que nem todo cônjuge “torce pelo sucesso” profissional do outro, o que não podemos dizer que seja algo que não sabíamos, mas o paradoxo: de que muitos amantes ou relações homos, aconteceram em “finais do expediente” era sabido! Na volta ao chamado “novo normal”, as pessoas voltando a caminhar, relativamente comum, em cidades litorâneas, cheguei a “ficar” com cara que percebeu o casamento “esfriar” no Isolamento social e, foi comigo, depois de nos conhecermos na caminhada, que ele teve o retorno das relações sexuais!

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