Mês do Orgulho LGBTQIA+ começa com alerta da ILGA World sobre retrocessos

Mês do Orgulho LGBTQIA+ começa com alerta da ILGA World sobre retrocessos

A ILGA World assinala o arranque do Mês do Orgulho LGBTQIA+ com novos dados e mapas globais que revelam como as leis continuam a afetar a vida de pessoas LGBTQIA+ em todo o mundo. O levantamento denuncia avanços importantes, mas também uma crescente onda de ataques legislativos e simbólicos.

Um mundo de avanços e retrocessos

Atualmente, 64 Estados-membros da ONU criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo, e 7 países preveem a pena de morte nesses casos. Em 61 países há leis que restringem a liberdade de expressão sobre diversidade sexual e de género, e o mesmo número impõe obstáculos à existência legal de organizações LGBTQIA+.

Por outro lado, 37 países, incluindo Taiwan, já reconhecem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e 18 permitem o reconhecimento legal de género com base na autodeterminação. O relatório destaca também que, tal como Portugal, 17 países baniram as chamadas “terapias de conversão, enquanto 9 proíbem intervenções médicas não vitais em crianças intersexo.

Destaques do último ano no que toca aos Direitos LGBTQIA+

Entre os progressos dos últimos 12 meses estão a descriminalização da homossexualidade na Dominica e Namíbia, e a conquista do casamento igualitário na Tailândia e no Liechtenstein. Na Europa, caiu a última “zona livre de LGBTI” na Polónia e mais de um milhão de pessoas assinaram uma iniciativa europeia para banir práticas de conversão.

Mas houve também graves retrocessos. A Hungria alterou a Constituição para proibir eventos LGBTI e negar identidades trans. A Geórgia baniu toda e qualquer representação pública LGBTI. Trindade e Tobago voltou atrás na descriminalização da homossexualidade, e Mali aprovou novas leis repressivas. No Reino Unido, o Supremo restringiu a definição legal de “mulher”, excluindo mulheres trans.

Nos Estados Unidos, a perseguição a pessoas trans e intersexo intensificou-se sob o pretexto de “proteger mulheres”. E em países como Peru e Argentina, foram aprovadas leis ou decretos que dificultam ou impedem o acesso a informação e cuidados de afirmação de género.

A ameaça invisível: o corte de apoios

Para além da repressão legal, os movimentos LGBTQIA+ enfrentam uma redução drástica de financiamento. Desde 2024, várias fundações e governos diminuíram ou suspenderam o apoio, afetando organizações e projetos comunitários. A ILGA World alerta que a sua base de dados global corre risco de desaparecer sem apoio urgente, o que apagaria décadas de documentação e memória.

Julia Ehrt, diretora executiva da ILGA World, lembra que “as conquistas da última década em igualdade de género, autonomia corporal e direitos LGBTI estão sob ataque. Devem e vão ser defendidas”.

Neste Mês do Orgulho, celebrar é também resistir. Resistir ao apagamento, à repressão, à censura e ao medo. É dar visibilidade às lutas, às vidas e às histórias das pessoas LGBTQIA+, em todo o mundo.

Consulta os dados e mapas atualizados em: database.ilga.org.



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Respostas de 2 a “Mês do Orgulho LGBTQIA+ começa com alerta da ILGA World sobre retrocessos”

  1. […] momento em que assistimos ao crescimento da retórica anti-direitos e à instrumentalização política da comunidade LGBTI+, é fundamental exigir responsabilidade e coerência às instituições […]

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  2. […] da falta de compromisso e apoio por parte da Câmara de Lisboa. Num momento em que assistimos ao crescimento da retórica anti-direitos e à instrumentalização política da comunidade LGBTI+, é, pois, fundamental exigir responsabilidade e coerência às instituições […]

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