Corações de Papel: Um monólogo contra o ódio e pela parentalidade LGBTQIA+

Corações de Papel: Um monólogo contra o ódio e pela parentalidade LGBTQIA+

Pormenor do cartaz da peça "Corações de Papel".
Pormenor do cartaz da peça “Corações de Papel”.

De 30 de abril a 24 de maio de 2026, o Teatro Turim, em Lisboa, acolhe Corações de Papel, um monólogo interpretado, adaptado e encenado por Peter Pina. A peça é uma declaração artística e política sobre o amor, a identidade e os direitos humanos, num contexto em que as conquistas da comunidade LGBTQIA+ voltam a ser ameaçadas.

A narrativa acompanha Arnaldo, um homem gay, travesti e romântico, cuja vida se divide entre o desejo de amar livremente e a luta por uma família. Ao adotar David, um jovem marcado pela rejeição, Arnaldo desafia o preconceito social e institucional que ainda questiona a parentalidade LGBTQIA+. O espetáculo expõe a adoção como ato político, colocando em causa o modelo tradicional de família e afirmando que “amar não tem orientação sexual“.

Carta a José Pedro Aguiar-Branco

Entre o humor mordaz e a dor, Corações de Papel denuncia a homofobia estrutural e as “práticas de conversão“, classificadas no palco, e não só, como tortura psicológica. A peça dialoga diretamente com a carta aberta ao Presidente da Assembleia da República, onde o ator e ativista escreve: “Terapias de conversão não são terapias. São somente torturas. Porque a conversão não existe.” A carta, que serve de base à narrativa, é um alerta: “Viver não pode continuar a ser um ato de resistência.”

No palco, o espetáculo transforma a dor em resistência. Como afirma Pina na carta: “Viver entre insultos e humilhação, não é viver. É apenas sobreviver.” A peça revela a urgência de existir sem medo, num mundo onde crianças e jovens LGBTQIA+ ainda são empurrados para a solidão e a violência. “Deixem de nos insultar. Deixem de opinar sobre a nossa vida. Deixem-nos viver. Deixem-nos em paz. E parem de nos matar aos poucos.

Com uma estética kitsch e linguagem direta, Corações de Papel é um manifesto pelo direito de amar, cuidar e pertencer. Após “A Última Carta ao Meu Pai”, este é um novo espaço onde o palco dá voz a quem foi silenciado e onde se reafirma que nenhum amor pode ser considerado doença.

Local: Teatro Turim, Lisboa
Datas: 30 de abril a 24 de maio de 2026
Quinta a sábado às 21h30
Domingos às 17h
Bilhetes já à venda na Ticketline.


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