Alan Turing E O Que A História Nos Ensina

Alan Turing, um britânico nascido em Londres no ano de 1912, foi perdoado na semana passada, sessenta anos após a sua morte, pela própria Rainha Isabel II. Alan é um dos maiores exemplos de como a perseguição homofóbica – mesmo que “justificada” por uma época e mentalidade bem diferentes das de hoje (notar as aspas e, na realidade, seremos hoje assim tão diferentes?) – pode tornar-se escandalosamente injusta para com o indivíduo gay.

Alan foi um dos maiores matemáticos que o Mundo conheceu, sendo responsável pela projecção de uma máquina que realizava operações computacionais, ou seja, foi ele o criador das bases que, décadas mais tarde, os computadores modernos viriam a ter no seu funcionamento.

Alan, trabalhando em Bletchley Park, conseguiu igualmente quebrar o código nazi Enigma durante a Segunda Grande Guerra, o que permitiu aos Aliados acederem de forma directa, completa, em tempo útil e em grande quantidade à inteligência e estratégias alemãs. Este enorme feito foi considerado decisivo na vitória dos Aliados no Atlântico Norte e, assim, encurtou de forma significativa a guerra.

Como se não bastasse, Alan era também um atleta notável, conseguindo o quinto melhor tempo britânico masculino na maratona no ano de 1948, falhando por pouco a eleição para a selecção britânica nos Jogos Olímpicos de Londres desse mesmo ano.

Alan Turing era também gay, abertamente gay, especialmente numa altura em que a homossexualidade era considerada crime em muitos países do mundo ocidental, incluindo o seu. Ele foi acusado na década de 1950 pelo crime de prática de sexo homossexual (consensual, entenda-se) e deram-lhe a escolher entre duas condenações: prisão ou castração química. Alan escolheu a segunda opção, submetendo-se assim ao tratamento químico e desenvolvendo características sexuais femininas, nomeadamente o aumento das mamas. A sua condenação também o excluiu do trabalho científico que durante a vida tanto ajudou a desenvolver. Hoje não haveria computadores, internet ou sequer programas espaciais, sem o seu revolucionário trabalho.

Embora não seja unânime, considera-se que Alan se suicidou dois anos após a sua condenação, com apenas 41 anos, mordendo uma maçã com cianeto, encenando assim, julga-se, a cena da bruxa da Branca de Neve.

Na semana passada, e após vários atrasos, Alan Turing foi finalmente perdoado pela Rainha Isabel II. “O perdão da Rainha é um tributo a um homem excepcional. O Dr. Turing merece ser lembrado e reconhecido pela sua contribuição fantástica para o esforço de guerra e seu legado para a ciência”, disse o Secretário da Justiça Chris Grayling.

Turing foi apenas um dos quase 50.000 homens condenados sob a lei de alteração do direito penal de 1885 que fez a homossexualidade um crime no Reino Unido.

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