Harvey Milk, A Esperança Que Nos Deu

Faz hoje trinta e seis que Harvey Milk, político e activista norte-americano, foi assassinado. Assassinado pelo colega Dan White que também assassinou no mesmo dia o prefeito George Moscone.

Numa altura em que, mesmo num país ocidental, a homossexualidade era automaticamente associada a perversão, a doença e a pedofilia, Harvey colocou-se na linha da frente na luta pelos direitos humanos e pelo respeito e reconhecimento do valor que as pessoas LGBT têm na sociedade (por exemplo, lutou contra a Proposta 6 (Iniciativa Briggs), lei que iria despedir todos os professores gays simplesmente por o serem).

Estabelecendo-se, com o seu companheiro Scott Smith na Rua Castro em 1973, que se tornou no primeiro bairro gay dos Estados Unidos, em São Francisco, com uma loja de câmaras, Harvey mostrou-se também um activista político notável, trazendo ao debate público aquilo que acreditava e fazendo propostas para mudanças de lei que as tornassem mais justas e defendessem as pessoas LGBT.

Os temas LGBT, embora centrais, não eram únicos no seu discurso e defendeu causas como melhores e mais baratos estabelecimentos de cuidados para crianças ou transportes públicos gratuitos. Harvey era também um feminista e acreditava que a união das lutas tornaria todas essas causas mais fortes pois partilhavam o mesmo princípio.

Através de uma campanha invulgar para a altura, em que eram usados cartazes humanos com as suas reivindicações, passava horas a cumprimentar as pessoas na rua e deu dezenas de discursos de esperança às pessoas LGBT, conseguiu ser eleito para a Câmara de Supervisores de São Francisco, a primeira vez que uma pessoa assumida gay o conseguiu na história do país.

Harvey Milk

O seu esforço começou a dar resultados e no The New York Times, edição Novembro de 1977, pode-se ler: A maioria da comunidade não-homossexual aceitou-o. O que São Francisco é hoje, e no que se está transformando, reflete a energia e a organização da comunidade gay e seu esforço na construção da integração dos processos políticos da cidade americana mais conhecida pela inovação de estilos de vida.”.

Harvey, que se tornou num ícone da luta pelos direitos das pessoas LGBT, foi assassinado um ano depois por White que, após um controverso julgamento pelas duas mortes, cumpriu cinco anos de prisão dos sete sentenciados por bom comportamento. É hoje considerado o homem mais odiado da história de São Francisco.

Mas se White conseguiu parar a pessoa, o seu desumano acto não conseguiu parar a palavra de Harvey e é esta que fica:

Algures, em Des Moines ou San Antonio, há um jovem gay que de repente percebe que ele ou ela é gay; Sabe que se os pais descobrirem eles vão ser expulsos de casa, os seus colegas vão provocá-los e a Anita Bryant e John Briggs estão a fazer sua parte na TV. E essa criança tem várias opções: ficar no armário e suicídio. E então um dia a criança pode abrir um jornal que diz “Homossexual eleito em San Francisco” e existem duas novas opções: a opção é ir para a Califórnia, ou ficar em San Antonio e lutar. Dois dias depois de ser eleito recebi um telefonema e a voz era muito jovem. Foi de Altoona, Pensilvânia. E a pessoa disse “Obrigado”. E você tem que eleger gays; para que milhares e milhares como essa criança saberem que há esperança para um mundo melhor; há esperança para um melhor amanhã. Sem esperança, não só os gays, mas aqueles que são os negros, os asiáticos, os deficientes, os idosos, os nossos semelhantes; sem esperança os nossos semelhantes desistem. Eu sei que não pode viver apenas da esperança, mas sem ela a vida não é vale a pena ser vivida. E tu, e tu, e tu, e tu tens que dar-lhes esperança.

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