Richard A. Cohen Vem A Lisboa Promover Terapias De Reorientação Sexual

Hoje cruzei-me com a notícia que o norte-americano Richard A. Cohen virá a Lisboa, a convite do Centro de Recursos Pessoa, Família e Sociedade e da Associação dos Psicólogos Católicos, promover terapias de reorientação sexual. Só o título da notícia fez disparar o meu alarme de deteção de homofobia, continuei então a ler o conteúdo da notícia da Renascença.

Lê-se logo na primeira linha:

O norte-americano Richard Cohen é um psicoterapeuta com 25 anos de experiência.

Ora, uma pesquisa rápida diz-nos que Cohen não tem habilitações de terapeuta porque, diz ele, não queria lidar com as complicações de heterofobia e pressão sobre ex-homossexuais. Como tal, Cohen cobra $150 por hora para sessões de aconselhamento e todo o seu trabalho é prestado sob a alçada da International Healing Foundation, uma organização sem fins lucrativos e livre de impostos por ele fundada.

Foi igualmente fácil encontrar que Cohen foi expulso da American Counseling Association, a maior associação do género no mundo, por múltiplas violações éticas. A expulsão permanente, entenda-se, é uma sanção raramente utilizada e, de acordo com David Kaplan, diretor da organização, Cohen foi expulso para ter violado seis secções do código de ética da ACA, entre elas, acções realizadas por membros que “buscam satisfazer as suas necessidades pessoais em detrimento de clientes“, aqueles que exploram “a confiança e a dependência de clientes” e para solicitar depoimentos ou promover produtos de forma enganosa.

Se isto, só por si, não era já suficiente para duvidar do interesse científico e moral que o trabalho de Cohen possa ter, saber que Cohen se considera heterossexual desde 1987 e que casou num casamento arranjado por um reverendo da sua Igreja só torna a situação mais sombria. Mas deixemo-lo falar numa entrevista dada em exclusivo à Rádio Renascença para percebermos o perigo que é noticiar um acontecimento destes:

Eu vou falar da minha história e de como saí da homossexualidade. E também vou falar, do ponto de vista científico, sobre: será que as pessoas nascem assim? Ou então, qual é a origem? Por fim vou concluir com o que podemos fazer nas nossas famílias, nas nossas igrejas e comunidades, para sermos agentes de mudança para Deus e dar solução a estas situações.

É estratégia comum estes oradores misturarem as coisas para receberem a atenção e, porventura, parecerem mais sérios, misturando termos ou levantando questões efectivamente válidas a nível científico ou filosófico. Mas geralmente não passam de introduções que apenas têm o propósito de esconder o verdadeiro intuito das suas palavras. Diz Cohen, depois de, alegadamente (!), ajudar homens e mulheres em todo o mundo [a abandonarem a homossexualidade], que vale a pena deixar alguns conselhos aos pais e educadores:

Se suspeitam que o vosso filho ou filha está a lutar ou tem sentimentos homossexuais, a primeira coisa é: pais, estejam perto dos seus filhos. Eles precisam do vosso amor. O pai é o primeiro modelo masculino para o rapaz. E a mãe acompanhe as filhas, ela é o seu primeiro modelo feminino. Precisa de interiorizar a sua beleza e o lado feminino. Isso é a primeira coisa. Em seguida, se vê que o seu filho pré-adolescente está mais à vontade com raparigas, devem ajudá-lo a encontrar amigos rapazes, amigos saudáveis; e se a filha anda sempre com rapazes, é preciso ajudá-la a sentir-se bem no mundo das raparigas. Deste modo encontram a sua segurança quanto à identidade sexual e podem entrar na adolescência e os seus desejos sexuais evoluem sem problema.

É este o nível de ignorância e corrupção pessoal que Cohen vem promover a Lisboa a pedido do Centro de Recursos Pessoa, Família e Sociedade e da Associação dos Psicólogos Católicos. Um triste convite, acrescento eu.

Fontes: Renascença e The Washington Post.

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4 comments

  1. Olá. Ao colocar o meu mail neste comentário arrisco-me a ser considerado um homofónico por pensar (tenho esse direito?) de maneira diferente. Será que existem verdades absolutas? Será porque um país ou um grupo “vê” no Corão que podem matar em nome do Islã que todos os muçulmanos são assassinos? Eu considero-me uma pessoa tolerante por isso aceito o direito à não desprezar o outropor pode ter comportamentos com os quais não concordo. Um abraço

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    1. O Jaime, por mim, pode pensar livremente o que bem entender desde que não imponha a sua opinião a terceiros. Com isso não quero dizer que não possa ser criticado com a opinião de outros. Tão somente isso. Cumprimentos.

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