Ainda Richard Cohen: A Entrevista

Como já foi anunciado por aqui, Richard A. Cohen, um auto-proclamado terapeuta norte-americano, veio a Portugal esta semana dar uma palestra, a convite do Centro de Recursos Pessoa, Família e Sociedade e da Associação dos Psicólogos Católicos, sobre terapias de reorientação sexual.

No dia seguinte o jornal gratuito Destak publicou uma entrevista de página inteira a Cohen (leiam-na na íntegra no final). O Manuel Fernandes, um leitor do blogue, enviou-nos essa informação e os seus comentários:

Li hoje este artigo na 1ª página do jornal Destak que me deixou muito incomodado. Nesta entrevista a Richard Cohen um terapeuta em orientação sexual são mencionadas tantas barbaridades como:

  • “À medida que fui descobrindo as causas e fui lidando com elas, os meus sentimentos homosexuais desapareceram;”
  • – “Acredita que as pessoas precisam de ser curadas?”
    – “Não, mas de acordo com a ciência não há predeterminação [?], logo pode ser mudado, se as pessoas assim o quiserem.”
  • “A atração por pessoas do mesmo sexo é uma mensagem de alma, que diz: socorro estou a sofrer e preciso de amor.”

Custa-me muito ver um jornal diário com tanta tiragem a espalhar preconceito sobre a homosexualidade, dando a entender que podemos mudar a nossa orientação sexual se assim o pretendermos.

A jornalista Carla Marina Mendes, responsável pela entrevista, começa logo com o pé esquerdo, tratando Cohen como sendo psicoterapeuta o que é algo facilmente provado como falso. As perguntas que faz podem parecer isentas mas o trabalho de um bom jornalista é questionar a veracidade da informação que recebe e as entender as consequências que essa informação levanta. Ao limitar-se a fazer perguntas vazias e sem continuidade de raciocínio torna irresponsável o seu trabalho, propagando desinformação e perpetuando preconceitos. Mas, acima de tudo, faz um mau trabalho, mesmo para um jornal gratuito. Talvez a jornalista possa aprender com outra, Rachel Maddow, que também entrevistou Cohen mas de uma forma muito mais interessante, vejam:

richard cohen destak entrevista

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