Já Melhorou: A Estreia Da Websérie Com Edie Läpore

Foi possivelmente no dia mais quente do ano que foi apresentada a primeira temporada da websérie Já Melhorou, uma iniciativa do projecto Tudo Vai Melhorar. Mas não foram os trinta e muitos, demasiados, transpirados graus que me fizeram desacelerar passo. No The Late Birds o ambiente era descontraído e afável – e fresco, tal como a bebida que logo apanhei do balcão. O Filipe já conversava lá dentro, logo larguei o casaco – onde estava com a cabeça quando achei que precisaria de casaco? – e juntei-me a ele.

Conversa puxa conversa, quando demos por isso tínhamos os anfitriões do projecto Tudo Vai Melhorar diante de nós, o Tiago, o Luís e o Diogo. Mais do que o agradecimento pela nossa presença ali – e da nossa parte o convite – foi a troca de histórias e experiências que dois projectos distintos mas com causa comum partilham que tomou a nossa conversa. Os pontos de partida, a criação da organização e do blogue, os entraves, lutas, voluntariado, disponibilidade, são pontos que, de alguma forma, nos eram comuns. E é nessa partilha que muitas vezes vamos buscar a motivação e o impulso necessários para seguirmos a luta e o caminho.

E o caminho naquele dia e daquelas pessoas que conversavam de bebida na mão era o de ver e escutar Edie Läpore. Não em pessoa – porque infelizmente não pôde estar presente – mas no vídeo de estreia da websérie Já Melhorou (já por aqui tratada). O Diogo convidou as pessoas presentes a sentarem-se e a rodearem a projecção preparada na parede branca, explicou depois que a “intenção inicial do projecto era convidar pessoas da sociedade civil portuguesa com visibilidade pública e assumidamente LGBT“, mas admitiu a “dificuldade que essas pessoas aceitassem“. Não baixando os braços, o projecto “mudou de estratégia“, continuou o Diogo, “estamos numa fase em que as figuras mediáticas não querem dar a cara“. Como tal decidiram “dar visibilidade a ‘role models’ da nossa comunidade” de forma a mostrar a todas as pessoas – e em especial jovens adolescentes que possam associar a sua natureza a uma vida obscura e de futuro duvidoso – que as pessoas entrevistadas nos oito episódios da websérie “conseguem viver os seus afectos e amores sem qualquer complexo, medo ou assombração e conseguem ser felizes“.

E, por fim, encostámo-nos nos sofás e cadeiras e assistimos à estreia do primeiro episódio, de olhos colados na parede e respirações atentas. Assim falou Edie:

 

No final os aplausos – e algumas lágrimas – do público presente que abraçou o depoimento e tudo o que ele representa. Um depoimento que, de uma forma ou de outra, facilmente se espelha em cada um de nós. Porque são exemplos como o de Edie Läpore que dão rumo àqueles e àquelas que ainda andam perdidos e dão igualmente força a todas as pessoas que se unem por uma causa, uma luta, um Amor.

Nas próximas semanas, aos Domingos à noite, a Tudo Vai Melhor irá partilhar os restantes episódios que contam com a participação de Alexandre Quintanilha, Andreo Gustavo, David Oliveira Martins, Kiki Pais de Sousa, Lourenço Ódin Cunha, Mariana de Carvalho e Carlos Sanches Ruivo.

Saímos dali para uma noite de verão que nos envolveu no seu calor com a sensação que uma voz – seguida de outras sete – poderá fazer diferença a quem a ela escute. Porque é esse um dos primeiros passos que podemos dar na procura da igualdade e da liberdade universais: escutar quem, de forma tão humana, nos fala.

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Nota: Obrigado ao Diogo pelo convite 🙂

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