UEFA Na Luta Pela Discriminação (dois pesos e duas medidas)

Voltamos a partilhar um novo texto do Filipe que, dadas as notícias sobre a dualidade de valores nas homenagens da UEFA aos atentados terroristas das últimas semanas em pleno EURO 2016, assim escreveu:

Na passada quinta-feira, a UEFA anunciou que iria existir um “momento de aplausos” em memória das vítimas dos atentados da Turquia, no início do jogo entre Polónia e Portugal, dos quartos-de-final do Euro 2016.

Este gesto é totalmente merecido para com as vítimas do atentado, mas também pela condenação do terrorismo no desporto e no dia-a-dia, ainda mais quando este europeu tem sido palco de vários ataques de hooligans. No entanto, o condenável está nos dois pesos e duas medidas da UEFA.

No dia 12 junho ocorreu em Orlando um outro atentado terrorista, só que este, tal como outros, teve uma comunidade como alvo específico – a comunidade LGBT. Este atentado não teve por parte da UEFA qualquer tipo de homenagem antes do início dos jogos do europeu, algo duramente criticado por várias pessoas. As razões, para tal, foram já dissecadas pelo Pedro, neste mesmo blog, no artigo “UEFA: É “Irrealista” Homenagear Vítimas De Orlando No Euro2016“. Mesmo que se aceitasse o argumento da UEFA, da origem dos atentados, algo completamente surreal, dado que o valor da vida humana deveria ser igual em qualquer país ou continente, o atentado de Orlando merecia destaque por parte da UEFA, porque se tratou de um atentado contra uma comunidade que ao longo dos anos tem sido vitima de constantes agressões e porque a UEFA tem-se integrado, constantemente, na luta contra a discriminação que existe no desporto.

Como se tal não bastasse como argumento vejamos o caso dos atentados de Novembro em Paris que mereceram homenagens noutros desportos e em vários pontos do Mundo, independentemente do país ou do continente. Em Boston, num jogo de hóquei, prestou-se um minuto de silêncio e ouviu-se o hino francês. No Kansas City, num jogo de futebol, tivemos um minuto de silêncio. No Brasil, no Grande Prémio de F1, os pilotos prestaram homenagem às vítimas de Paris. São estes exemplos que mostram ao mundo que os atentados são fortemente condenados e vistos como uma das piores armas do ser humano. Perante isto, teria ficado bem à UEFA prestar homenagem às vítimas de Orlando. No entanto, as atitudes ficam para com quem as pratica e caberá a cada um julgar os actos da UEFA no combate pela discriminação.

Um bom exemplo de combate contra a discriminação e de apoio a causas foi o que aconteceu na época 15/16 no Rayo Vallecano. Este clube de Madrid homenageou e participou na luta contra a discriminação com um dos seus equipamentos a ter a bandeira arco-íris. Nos outros dois equipamentos estava o apoio a uma outra causa, a luta contra o cancro. Este exemplo foi também alvo de um artigo do Pedro, no blog, intitulado “O Desporto Contra A Homofobia: O Exemplo De Rayo Vallecano De Madrid“. São estes exemplos que merecem enorme destaque, pois promovem, cada vez mais, a igualdade entre todos e o fim da discriminação, num dos desportos que mais apresenta níveis altos de homofobia.

Um outro bom exemplo foi o que se passou num jogo de futebol, nos EUA, em que um dos jogadores se dirigiu a outro com ofensas pela orientação sexual de um colega, e que levou a que uma das claques se manifestasse no jogo seguinte contra este facto e tenha elaborado uma bandeira arco-íris nas bancadas do estádio [imagem acima].

Seria bom que os clubes mundiais e portugueses, nomeadamente Benfica, Braga, Porto e Sporting, pudessem desenvolver campanhas semelhantes a esta, não só contra a homofobia, mas também contra o racismo e a xenofobia ou ainda do apoio a causas como a luta contra o cancro ou mesmo de apoio aos refugiados (um dos temas tão em voga na actualidade).

Filipe.

Fontes: Slate, Revista Lado A, Pragmatismo Político.

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