PCP abstém-se (vergonhosamente) no voto de condenação à Tchetchénia

Foi hoje levado à Assembleia da República o voto de condenação (em baixo)  ao governo da República da Tchetchénia pelos atos de violência sob pessoas LGBT e a reivindicar a libertação de todos os que se encontram presos e torturados. Toda a Assembleia da República votou a favor desse voto de condenação. Exceptuando a bancada parlamentar do Partido Comunista Português, que absteve-se.

Não consigo invocar outras palavras que não NOJO e REPÚDIO por esta ação do PCP em aprovar o massacre físico e psicológico a pessoas LGBT que está a ocorrer na Tchetchénia em pleno ano de 2017. As ideologias anacrónicas – basta recordar a recorrente posição complacente tomada pelos militantes em relação ao regime ditatorial da Coreia do Norte – e completamente mentecaptas do PCP continuam a minar um partido que muitas vezes invoca a igualdade e solidariedade como alicerces fundamentais de um estado de direito. No entanto continuam a deixar-se permear de noções de lealdade ideológica com regimes de esquerda e extrema-esquerda com os quais parecem não ter já nada em comum a não ser a vanglória da foice e do martelo.

Mais ultrajado do que a direita vetar leis de igualdade no acesso ao casamento ou à adopção por pessoas e casais de pessoas do mesmo sexo fico com esta esquerda hipócrita que se deixa silenciar por pressões ideológicas passadas enquanto pessoas como nós estão a ser massacradas na mãe Rússia. Hoje disseram SIM às suas torturas e às suas mortes. Nojo. Vergonha. NOJO.

VOTO DE CONDENAÇÃO N.º 280/XIII/2.ª

PELA PERSEGUIÇÃO DA POPULAÇÃO LGBT NA REPÚBLICA DA CHECHÉNIA

Foi noticiado, em vários órgãos de comunicação social internacional, que o Governo da República da Chechénia, região autónoma integrada na Federação Russa, terá aberto um campo de concentração para população LGBT.

Segundo relatos de vítimas e denúncias de grupos russos de defesa dos direitos humanos, dezenas de homossexuais foram detidos e mantidos em cativeiro num antigo quartel militar na cidade chechena de Argun, onde são torturados por espancamento e com recurso a choques elétricos. Até à data, foram registadas três mortes.

Este atentado aos direitos humanos enquadra-se numa política mais geral de perseguição continuada à população LGBT levada a cabo pelo Governo da República da Chechénia.

Assim, a Assembleia da República, reunida em plenário, condena a perseguição à comunidade LGBT pelo Governo da República da Chechénia e apela à libertação de todos os cidadãos presos.

Assembleia da República, 12 de abril de 2017.

ATUALIZAÇÃO: Nota da votação no site do PCP:

DECLARAÇÃO DE VOTO

Relativa ao Voto nº 280/XIII/2ª, de condenação pela perseguição da população LGBT na República da Chechénia

O Grupo Parlamentar do PCP começa por reafirmar a sua defesa intransigente de todas as liberdades, condenando as medidas que atentem contra os direitos, liberdades e garantias e todas as formas de discriminação, incluindo em função da orientação sexual.

Quanto ao voto em apreço, não tendo sido possível confirmar os factos invocados, o PCP não pode acompanhar a iniciativa que se funda, como o próprio texto assinala, no que “foi noticiado, em vários órgãos de comunicação social internacional”.

Aparentemente o PCP e o Kremlin estão em sintonia na desacreditação dos relatos feitos por jornalistas, associações de defesa de direitos humanos e agora de testemunhos na primeira pessoa de vítimas de violência nos campos de concentração tchetchenos. Há de facto que obter ainda mais provas deste crime hediondo contra os direitos fundamentais do ser humano, nomeadamente com réplicas estatisticamente relevantes de cadáveres de homens gay torturados pelas autoridades tchetchenas. E talvez nem assim seja suficiente. Vergonha. Nojo. VERGONHA.

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