Estados Unidos da América votam contra condenação da aplicação da pena de morte a pessoas homossexuais nas Nações Unidas

A semana passada foi votada em Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas uma resolução que condena a aplicação da pena de morte de forma desmesurada a nível mundial e, pela primeira vez, incluía uma cláusula de proteção de pessoas homossexuais e bissexuais. Graças ao voto de 27 países a resolução foi aprovada, mas demasiados foram os que votaram contra a aplicação desta moção. Entre esses 13 estavam a Arábia Saudita, o Iraque, a China e… os Estados Unidos da América. Este último fez-se representar pela embaixadora Nikki Haley, parte do gabinete eleito pelo Presidente Donald Trump.

Não é surpreendente a posição dos Estados Unidos da América em assuntos relacionados com a contenção de aplicação da pena de morte. Mesmo durante a administração Obama houve abstenção numa resolução semelhante mas que não visava qualquer proteção específica da população LGBT. Em 2017 pelo menos onze países, na África e no Médio Oriente na sua maioria, não só existe a criminalização da homossexualidade como a pena para tal crime é efetivamente a pena de morte.

Não é minha intenção nem parte da minha cruzada continuar a demonizar a actual administração de Trump sem critério, já que outros países considerados civilizados como o Japão também exerceram o seu voto contra. Nem tão pouco pensei que o voto de Haley tenha a intenção única de discriminar especificamente a população LGBT e terá mais que ver com a recusa de reconhecimento da atrocidade que é a pena de morte, já que outras cláusulas da moção iam de encontro à lei que muitos estados ainda praticam.

No entanto, tendo em conta que é a primeira vez que numa resolução desta natureza  se salientam pessoas homossexuais ou bissexuais em sede das Nações Unidas, a mensagem passada com voto contra é muito clara. Sendo os Estados Unidos da América ainda um exemplo de democracia e liberdade a nível mundial, a condescendência leviana com que se exerce um voto que permite a morte de pessoas LGBT pelo mero facto de existirem é de uma atrocidade e violência inqualificáveis e um sinal de insegurança alarmante para todos os que se debatem com a sua identidade. Os ideais de extrema-direita continuam a marchar fortes por esta Europa fora e os direitos que tomamos como garantidos ameaçados pela intolerância e uniformização nacionalistas. E quando nos deixamos representar por um governo que coaduna esses actos é tempo de agir. Já.

Fonte: Salon.

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