Homoparentalidade: estudo massivo reafirma sanidade mental de crianças enquanto Portugal a confronta no pequeno ecrã

Novas e detalhadas evidências de algo que já sabíamos: filhos e filhas de casais homoparentais não sofrem maiores dificuldades psicológicas e emocionais do que aquelas criadas por casais heterossexuais. Este estudo massivo publicado na Child Development, uma das mais conceituadas revistas científicas de Psicologia do Desenvolvimento, é baseado no NHIS, inquérito nacional levados a cabo pelo governo federal norte-americano, e que agora inclui orientação sexual dos pais.

Os investigadores olharam para o historial psicológico de 21.000 crianças e adolescentes compreendidos entre os 4 e os 17 anos de idade, e não encontraram quaisquer diferenças entre as criadas por casais homo- e heteroparentais. O acordo sugere inclusivamente que as crianças de casais homoparentais podem sim sofrer residualmente pelo estigma social sofrido pelas mães e pais, nomeadamente no caso da bissexualidade, pelo que apontam a discriminação social dirigida aos pais como o único fator desviante, e não a capacidade dos mesmos de criar uma criança saudável e equilibrada.

Ontem o programa da SIC “E Se Fosse Consigo?” abordou a temática da homoparentalidade em Portugal. Mostrou a habitual encenação de rua, neste caso num parque infantil, onde dois actores homens estavam a encarnar os pais de uma criança enquanto uma mulher os abordava e questionava a capacidade de dois homossexuais cuidarem de uma criança. Apesar de algumas (poucas) reações claramente homofóbicas, a maioria censurou de forma veemente a atitude da agressora. Estavamos, no entanto, num jardim em Lisboa, resta saber o quão mudaria aquele mesmo cenário noutra cidade ou vila do país. Mas mais iluminador e com poder transformativo foram os testemunhos reais de pais, mães, filhos e filhas que demonstraram de forma inequívoca que a única coisa que de facto interessa a uma criança é amor.

Numa altura em que em também em Portugal alguns profissionais da área da psicologia continuam a questionar a validade de casais do mesmo sexo ou pessoas de diferente orientação sexual na educação de uma criança ou alas políticas mais conservadoras a insistirem no debate do “superior interesse da criança” é importante que estudos sérios e compreensivos como este continuam a derrubar estigmas e preconceitos arcaicos.

Fonte: Newsweek

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