Em homenagem a todas as pessoas Trans

É dia 20. Infelizmente, passados quase 20 anos, ainda é necessário relembrar que quase todos, senão todos, os dias existe uma pessoa trans no mundo que morre de crime transfóbico ou motivação transfóbica. Foi em 1999 que foi fundado o Dia Internacional da Memória Trans, numa homenagem de Gwendolyn Ann Smith, uma mulher trans, para com o assassinato de Rita Hester, uma mulher trans afro-americana. Neste dia 20 homenageamos todas estas pessoas que de ano para ano nos deixam.

Segundo o relatório anual da TGEU (Transgender Europe), foram mortas 325 pessoas trans ou género diverso nos últimos 12 meses. Este é um número consideravelmente alto, mas que pode ser maior tendo em conta que os dados adquiridos estão relacionados com o raio de acção das associações envolvidas no relatório. É de assinalar que o Brasil continua a ser o local no mundo onde mais pessoas são mortas. A comunidade trans é das comunidades que mais sofre violência e discriminação em todo o mundo e isso reflecte-se nestes números assustadoramente altos. A violência aumenta significativamente quando tratamos de pessoas não brancas, de classe social baixa, migrantes ou trabalhadoras do sexo.

Urge a necessidade de continuar a dedicar esforços a procurar soluções que tragam dignidade à vida de todas estas pessoas. É imperativo que os estados reconheçam a identidade de cada pessoa pela sua própria palavra e vontade – auto-determinação. É imperativo que os sistemas de saúde dêem respostas adequadas a cada pessoa e que existam medidas claras de protecção legal da comunidade.

Porém, para além das leis e procedimentos, é necessário educar a sociedade. É importante que as pessoas sejam educadas para a identidade e expressão de género e que caminhem no sentido do respeito pela pluralidade identitária. Sabemos que este é o processo mais complicado. A sociedade não acompanha as leis da mesma forma e é um trabalho adicional que é necessário ser feito. No entanto, cabe a todos nós zelar pelo bem-estar de qualquer pessoa e, como tal, apostar no entendimento e aprender a ouvir.

Queremos que com tudo isto estes números comecem a baixar. Queremos que menos pessoas morram por esta razão: pelo simples facto de existir. Queremos menos violência, queremos mais dignidade, queremos mais respeito. Queremos, dia após dia, de deixar de pensar em sobreviver, mas pensar em viver. Queremos não sofrer violência na rua, no trabalho ou na escola. Queremos ser quem somos, apenas existir na nossa melhor forma. Queremos, pois sabemos quem somos.

Recordem, 325 vítimas reportadas no último ano! Até quando isto vai continuar? Não à transfobia!

 

Fonte: Imagem.

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