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O Triunfo Colossal de Miss Drag Lisboa 2018 e do Drag Português

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Às 23h30 o Espaço TimeOut do Mercado da Ribeira já estava à pinha. Inicialmente e com a máquina fotográfica a trilhar caminho, lá consegui me ir mexendo de um lado para o outro. Mas a massa humana foi-se tornando cada vez mais densa e quente e impossível de ultrapassar. É surpreendente ver tanta gente num evento como este quando apenas há uns anos tal coisa era perfeitamente impensável. O drag está a tornar-se num movimento dentro da comunidade LGBT portuguesa e o concurso Miss Drag Lisboa é um exemplo absolutamente triunfante disso mesmo.

À hora certa somos apresentados à visão que é Miss Moço, sofisticada e sempre deslumbrante. E com a facilidade com que revelava perucas debaixo de outras, foi uma anfitriã incrível no concurso que criou juntamente com Miguel Rita, aqui nas mesas de misturas a garantir que tudo corria sobre rodas. Numa adaptação do que é o estilo de apresentação de RuPaul, a drag queen canadiana foi revelando as surpresas que incluíram performances de abertura da cada vez mais refinada e ousada Nevada Popozuda, runner-up do primeiro Miss Drag Lisboa, e também o furacão inesperado que foi Chantelle Perez.

O concurso apresentou-se de forma clássica: um runway inicial de apresentação de cada uma das concorrentes, o talent show em que cada uma usa o seu tempo da forma que quiser – e que é o bolo de todo o espetáculo – e um runway final de vestidos de noite. Mas se o formato é clássico dos pageants norte-americanos, as drag queens que vimos desfilar e mostrar os seus talentos… não são. Se persistem (e ainda bem) as detentoras do drag mais clássico – que se chamava travestismo até há pouco tempo – as revelações surgem nas queens que pretendem romper com o passado e fazer algo verdadeiramente diferente. Desde a Nossa Senhora de Fátima da Imperatrisha à teatralidade vaudevilliana de Valley Dation, passando pela hilariante bio queen Zazu Lacroix, existe uma diversidade incrível aqui que não só mostra um esforço da organização em refletir várias formas de abordar esta arte como também é sinal da riqueza que emerge da cena drag lisboeta. E o romper da tradição a olhar para o futuro não podia ter sido mais bem representado do que por Sylvia Koonz, vencedora da primeira edição, que no intervalo antes da deliberação do júri deliciou o público a encarnar uma delirante boneca animada ao som de ‘Barbie Girl’.

O júri não teve um trabalho fácil e Cher-No Billz, Lexa Black e Lola foram as três seleccionadas para o lipsynch final. Cher foi incrível na integração do orgulho na forma da bandeira LGBT em cada crescendo e reveal da música “Born This Way“, mas foram Lexa e Lola a lutar pela coroa. Ambas incríveis na forma como dançam, jovens amazonas, mas com força de veteranas, que pisam não só as inimigas como o preconceito, estiveram altamente equilibradas. Se Lexa dá o litro extra na performance – acrobacias nunca gratuitas e de uma elegância e ferocidade estonteantes, Lola ficou à frente nos looks, particularmente no vestido de noite que faria Nicki Minaj corar de inveja.

E apesar daqui só um ex-aequo ser totalmente justo, foi Lola a derradeira vencedora. E merecidamente. A garra e a confiança com que desfilou com a coroa no final demonstram que Lola não é uma drag queen que vá deixar-se silenciar. E é assim que também vejo o drag lisboeta a singrar nestas noites quentes de Verão. Sem subtilezas e com um rugir de leoa. Estão ambos aqui para ficar.

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Poderão ver todas as fotografias no álbum Miss Drag Lisboa 2018 no Facebook.

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