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Papa Francisco volta a condenar homossexualidade e apelida-a de “moda”

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Numa entrevista divulgada no Sábado, o Papa Francisco confessou-se preocupado com o problema que sério que é a homossexualidade e de que é uma moda que pode afectar o clero.

A propósito de um livro denominado A Força De Uma Vocação, o Papa continua a dizer em entrevista acerca da discriminação da Igreja Católica em relação a seminaristas: “O caso da homossexualidade é um assunto muito sério e que deve ser adequadamente discernido desde o início com os candidatos“. Continua: “Nas nossas sociedades parece até que a homossexualidade é moda e que essa mentalidade, de certa forma, influencia a vida da Igreja. (…) Isto é algo que me preocupa porque talvez no passado não recebesse a atenção devida. Pode ser que na altura (os padres) não exibissem essa tendência, mas ela mais tarde revela-se. Na consagrada vida de um padre não há lugar para esse tipo de afetos. Logo a Igreja recomenda que essas tendências entranhadas não sejam aceites no clero“.

Pois bem. Quem visita este espaço não ficará surpreendido das incongruência atrozes do Papa Francisco em relação ao tema da homossexualidade. Apesar de inicialmente ter suavizado o discurso, a demonização das pessoas LGBT é recorrente e, na melhor das hipóteses, de uma condescendência imperdoável. E nenhuma destas opiniões agora expressas em entrevistas são novas. Já falámos anteriormente da questão da homossexualidade enquanto moda e do barramento de homens gay nos seminários.

No entanto, nos intervalos destas discriminações às pessoas LGBT, o Papa Francisco vai atirando areia aos olhos dos fiéis, incluindo aqueles cuja vivência o próprio insulta de forma leviana e moralista. E aqui volta implicitamente a reforçar a absurdez arcaica da homossexualidade enquanto caminho para a pedofilia, em tendências que podem não se revelar logo mas que acabam por arruinar a imagem da Igreja. Quanto tempo mais vamos continuar a desculpar este obscurantismo decadente do Papa Francisco e apenas focar as poucas vezes em que ele não condena abertamente as pessoas LGBT, apesar de sempre as tratar como pobres doentes que merecem ser amadas e encaminhadas?

Enquanto católico caído, criado num colégio de padres dos 10 aos 18 e agora apóstata, posso dizer uma coisa: Francisco, não preciso da tua caridade para nada. Não preciso da tua piedade para nada. Não preciso da tua falsidade para nada. Acredita que nem mesmo no leito da morte vou rogar por esse teu Deus julgamentoso e castigador. Vou continuar, sem vergonha nem com o peso do terço, a amar o meu namorado, os meus amigos homossexuais, a minha comunidade LGBT. São neles e nelas que me vou continuar a refugiar e a procurar inspiração diária. E vou continuar a cuspir de volta esse veneno pérfido mascarado de eucaristia. Chega de desculpas para este homem tóxico. Não é nada mais que outro inquisidor mascarado de reformista. Outro monstro mascarado de anjo.

Fonte: The Guardian

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1 Comentário »

  1. O discurso das igrejas sempre foi incongruentemente conservador ou conservadoramente incongruente, mas o seu peso social continua a ser determinante, criando coesões sociais (a nível de certas maiorias) tão considerável quanto temível. O apoio que Bolsonaro recebeu da parte de uma confissão religiosa é um bom exemplo disso.

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