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RuPaul’s Drag Race tem a sua primeira vencedora trans: Kylie Sonique Love!

Muito temos falado aqui neste espaço sobre RuPaul’s Drag Race e a necessidade de representação de toda a variedade de artistas e performers que continuam a fazer do drag a forma de arte disruptiva que é desde a sua génese, querendo romper construtos sociais de género.

E depois de anunciada a primeira mulher cis numa edição do franchise, tivemos o culminar da sexta edição de All Stars, uma competição ainda mais feroz com as estrelas drag de edições anteriores, e a coroação de Kylie Sonique Love enquanto vencedora derradeira do concurso. É, assim, a primeira mulher trans a conseguir o título de next drag superstar, 11 anos depois de ter concorrido no programa, quando este ainda estava na sua segunda temporada.

Na altura Sonique, que não chegou longe da primeira vez, fez história ao ter revelado na reunião no final da temporada que era uma mulher trans. Na altura RuPaul e a produção não deixavam pessoas já em transição concorrer, algo que mudou drasticamente, muito também por pressão por parte do público.

No início desta edição de All Stars 6, Sonique partia em desvantagem em relação a concorrentes como Ginger Minj, Eureka O’Hara e outras cuja legião de fãs era muito maior que a sua, apesar de na última década ter vindo a construir a sua marca no meio e participado em múltiplos eventos de grande dimensão, inclusivamente ao lado de Miley Cyrus. Mas a sua personalidade inicialmente tímida foi-se revelando à medida que percebia que a sua autenticidade era o que a estava a fazer avançar nos desafios semanais. E todas as semanas nos deslumbrava com os seus runways, lipsyncs e surpreendia-nos a nós, e a si própria, pela plasticidade com que se adaptava a todos os obstáculos que lhe atiravam: no lipsync final tropeça no vestido para agilmente dar um cambalhota e deslizar sensualmente para o outro lado do palco.

Muito se fala do tokenização das minorias dentro das próprias minorias na comunidade LGBTI e há quem queira fazer que Sonique só ganhou por ser uma mulher trans, em lugar de Ra’Jah O’Hara, a outra dark horse da competição que tinha sido também uma justíssima vencedora. Esquecem-se no entanto que este tipo de asserções pretendem minorizar o talento de Kylie Sonique Love e da maneira absolutamente triunfante como todas as semanas demonstrava tudo aquilo que conseguia fazer. E acreditem, isto é mesmo só o ínicio. Viva Kylie. Viva Sonique. Viva Love.

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