Trump, o primeiro dia do resto das nossas vidas

Trump toma hoje posse, meses depois do início de uma campanha como nunca o mundo tinha visto. Entre agarrar pussys, bandeiras arco-íris invertidas e tweets ofensivos, toda a gente já sabe a sua lenga-lenga, mas o que significa isso para o mundo? O que significa isso para nós?

Uma coisa é certa, existe já hoje um mundo pós-Trump, um mundo em que um homem misógino, racista e homofóbico – e podia continuar a lista – já nem se dá ao trabalho de disfarçar ou, pelo menos, moderar o seu discurso. E ao tornar-se, democraticamente, no homem mais poderoso do mundo, valida assim muitas das pessoas que nos últimos anos se viu obrigada, pelo menos publicamente, a evitar certas afirmações.

Com esta vitória as micro e macro-agressões contra minorias e mulheres passam a ser vividas no nosso quotidiano de forma mais sentida, mais intensa. Porque as vemos nas nossas televisões, nos nossos Twitters e Facebooks, vêmo-las a partir de hoje no homem mais poderoso do mundo, aquele que pode efectivamente reverter tudo aquilo por que lutámos nas últimas décadas e que não foi mais do que a igualdade perante a lei e o orgulho social. E calha que hoje as pessoas que foram nossos obstáculos estão mais fortes, as suas vozes fazem-se ouvir mais, tentando-nos silenciar, tentando-nos minorar, afastar, quebrar.

Mas é também hoje o dia em que podemos fazer a diferença. E bem sei que o mesmo dissemos quando tudo fizemos para que Trump não chegasse ao poder. E, mesmo assim, mesmo depois de todo o esforço, de toda a campanha, mesmo depois de acreditarmos que a vitória era garantidamente nossa perdemos essa janela, essa possibilidade. É tempo, pois de voltar a arregaçar mangas e, com atenção redobrada, estarmos atent@s ao que no mundo se passa. E ao nosso lado, na nossa Timeline, Feed, no café ou no cinema e não permitir que estes impulsos ganhem forma e nos derrubem mais tarde.

Por tudo isto, e em vários pontos do país amanhã, surgirá a “Marcha das Mulheres #NãoSejasTrump”, onde vários movimentos dos direitos humanos irão responder e afirmar voz contra aquela que Trump nos tenta impor. Ainda vamos a tempo de reagir, porque este pode ser o primeiro dia do resto das nossas vidas. Cabe a cada um/a de nós saber o que fazer quanto a isso.

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Fonte: imagem.

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