Adolfo Mesquita Nunes Assume-se Gay: “Muita gente precisou de uma coragem infinitamente superior à minha”

Naquela que foi a sua primeira entrevista de vida, o atual vice-presidente do CDS, Adolfo Mesquita Nunes, assume-se gay na edição de hoje do semanário Expresso. Em junho, durante a campanha das autárquicas na Covilhã, cidade onde nasceu, vandalizaram um dos seus cartazes escrevendo “gay”. O então candidato decidiu não o retirar, pois quis “deixar bem claro, quer para quem o vandalizou quer para a população da Covilhã“, que não tem “vergonha“, nem qualquer problema em ser quem é: “Pedi que não o substituíssem porque não era mentira.”

Explica igualmente que quem achasse que isso era um problema dentro da sua equipa poderia sair. “Ninguém saiu.” Quatro meses depois do polémico cartaz, o CDS teve o melhor resultado dos últimos 40 anos na Covilhã.

Esta é uma história caricata, dado que Adolfo Mesquita Nunes já tinha justificado, com as mesmas palavras, a manutenção do cartaz vandalizado em pleno comício com Assunção Cristas. Acontece que as suas palavras foram ignoradas pelos meios de comunicação que lá estavam em detrimento das da líder do partido.

Assumindo a sua orientação sexual como algo com que “convive perfeitamente e com naturalidade“, o vice-presidente do CDS esclarece que “não tem a opção de ser outra pessoa“. Como tal, e embora não goste da exposição que ser uma figura pública lhe traz, recusa esconder-se:

Se para mim é completamente natural, porque tenho a sorte de ter família, amigos e meio social onde a orientação sexual não é assunto, sei que para milhões de pessoas é assunto, porque são vítimas de perseguições, de bullying, de ameaças, de assédio, de morte, de discriminações.

E é neste sentido que o ex-deputado volta a reiterar a importância daqueles e daquelas que lutaram e continuam a abrir caminho para a plenitude das pessoas LGBTI:

Para hoje uma pessoa poder estar confortável com a sua orientação sexual houve muita gente que precisou de uma coragem infinitamente àquela [que tive]. É por isso que não aceito a distinção entre o ativismo supostamente folclórico, mais extravagante, e o ativismo moderado, mais discreto e por isso supostamente mais aceitável. Para eu não precisar de nenhuma coragem para estar aqui a ter esta conversa, houve muita gente que chocou, provocou, correu riscos, desafiou e teve uma coragem infinitamente superior.

E esta é uma luta, reconhece, que está longe de ter terminado, dado que o coming out para muita gente é ainda hoje “uma questão de enorme coragem“.

Na semana em que foi anunciada a candidatura à liderança da JSD por parte de uma mulher que votou a favor da adoção de crianças por casais do mesmo sexo, este é mais um importante passo para uma Direita modernizada em Portugal. Porque, e contra uma certa ideia que se mantém implícita até aos dias de hoje, os direitos humanos não se separam entre Direita e Esquerda. E o Adolfo Mesquita Nunes já deu fortes contributos no sentido de os defender plenamente, à Direita.

A título de provocação, e para terminar, dado o exemplo vindo do PS e agora do CDS, quando se chegam à frente os restantes partidos?

A entrevista pode ser lida na íntegra aqui.

Fonte: Imagem.

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